Início Opinião Graça Amiguinho A cidade medieval “Yalbas ou Yech” – ELVAS

A cidade medieval “Yalbas ou Yech” – ELVAS

COMPARTILHE
©Elvasnews/arquivo
   Publicidade   
   Publicidade   

Longa e muito antiga é a história da nossa linda cidade de Elvas.

Quanto mais a amamos, mais a desejamos conhecer e, para que o nosso desejo seja possível, vamos aos anais da História procurar as suas raízes ancestrais.

Muitos foram os povos que povoaram esta região, lutaram e se instalaram, durante séculos, desfrutando a beleza da natureza e nela encontrando a sua própria sobrevivência.

Há monumentos deixados por celtas e iberos, as antas; por romanos, as pontes e aquedutos; mas os que mais marcaram a vida da nossa urbe foram, sem dúvida, os muçulmanos, tendo o nome Elvas origem em topónimos árabes.

Os muçulmanos ergueram a cidade com uma fortaleza e puseram-lhe o nome de Yabas ou Yech – Elvas, dependente de Batalyaws – Badajoz.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Logo que D. Afonso Henriques se tornou Rei de Portugal, todas as suas energias e as do seu povo foram aplicadas na luta contra os ocupantes deste território, desejando tornar o novo reino, grande, poderoso e cristão.

Assim, em 1166, o jovem Afonso Henriques vem conquistar esta cidade aos mouros. Tarefa difícil. Tão depressa foi conquistada como, de novo, recuperada pelos seus habitantes.

Mas os sonhos não morriam com a morte de um rei. Os seus sucessores orgulhavam-se de continuar a dura missão iniciada pelos seus antepassados.

Em 1200, D. Sancho I, filho de D. Afonso Henriques, vem reconquistar a cidade de Elvas, mas volta a perdê-la, caindo uma vez mais nas mãos dos mouros.

Imaginamos quantas vidas foram destruídas nestas batalhas, corpo a corpo.

A luta é continuada pelo filho de D. Afonso II, D. Sancho II, em 1226, mas logo por ele abandonada, não sei por que motivo.

Porém, em 1229 foi concedido Foral à cidade e as suas muralhas foram reconstruidas, aproveitando-se a traça moura.

Em 1228-1230, a cidade de Batalyaws (Badajoz), também ocupada pelos muçulmanos, caía nas mãos do rei de Leão.

Duas grandes urbes, fortificadas que, durante séculos, se vigiaram e hostilizaram, fazendo cada qual o seu papel de porta de entrada de Portugal e Espanha em tempos de paz.

Elvas foi palco de momentos importantes da História de Portugal, desde sempre.

Em 1262 nela se realizou a 1ª Feira.

Em 1271, D. Afonso III beneficiou a cidade.

Em 1280, el-rei D. Dinis mandou fazer obras no castelo.

Em 1383 foi assinado, em Elvas, o tratado do casamento de D. Beatriz, filha de D. Fernando, com D. João de Castela, união que causaria a grande crise de 1383 –1385

Nessa crise, Elvas foi palco de grandes contendas, pois não apoiava D. Beatriz como futura Rainha de Portugal e, então, viu-se cercada por praças que estavam ao lado de D. Beatriz e D. João de Castela, tais como Campo Maior, Olivença e Vila Viçosa.

É nessa ocasião que se distingue o alcaide da cidade, um tal Gil Fernandes, o Gil « Navalhas» pela sua habilidade e valentia, sendo conhecido como um dos primeiros heróis de fama nacional, oriundo de Elvas.

Estes são os principais acontecimentos ocorridos durante o período que antecedeu os Descobrimentos, a chamada, Época Medieval.

Hoje faz-se um retrato muito bonito desse tempo com grande «glamour» de vestuários, malabarismos, encantadores de serpentes, dançarinas, tocadores de flautas, camelos bem nutridos, mas é apenas uma encenação.

A realidade do povo, nessa época, era muito dura, pois a fome grassava, a peste era uma realidade, a pobreza era generalizada. Apenas a nobreza e seus pares viviam confortavelmente sem quererem saber do sofrimento do povo.

Hoje, há perfumes e flores que enfeitam os cortejos, enquanto que, nesse tempo, o peso das armaduras e o suor dos corpos eram uma triste realidade.

Criar ilusão é uma arte, sem dúvida, mas esquecer o lado duro de um passado e não valorizar o presente, não será o melhor caminho a percorrer por um povo.

Quero para Elvas um futuro promissor, perfumes, flores e sorrisos em todos os rostos sem passeios de camelos ou encantadores de serpentes horrorosas, que não representam, verdadeiramente, uma época de trevas e sofrimento.

Conhecer a História e dá-la a conhecer nas suas mais diversas vertentes, às novas gerações, é obrigação de todos nós.

Omitir factos ou pintá-los com cores artificiais nada tem de lúdico e informativo.

Venham mais «Feiras Medievais», mais enriquecedoras da cultura portuguesa!