Foto: Reuters
   Publicidade   
   Publicidade   

Opinião de Graça AmiguinhoO mundo enfrenta os maiores desafios dos últimos tempos.

   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 
   Pub 

Desafios que não têm somente que abrir caminhos para encontrar as melhores soluções para salvar vidas e empregos, como também, para salvar a educação de crianças e jovens.

Todos nos sentimos envolvidos nesta batalha e desejosos de que o final seja, o menos danoso possível.

O Estado, os professores, os pais e os alunos, tentam, por todos os meios, que se consigam minimizar os problemas nascidos de uma situação impensável, que a pandemia arrastou consigo, trazendo à luz do dia as vulnerabilidades de uma sociedade muito fragilizada e as disparidades abismais, entre diferentes regiões do nosso país.

Se para muitos, o ensino on-line traz vantagens, porque não lhes faltam os equipamentos tecnológicos imprescindíveis ao ensino à distância, porque têm condições de habitação que lhes permitem uma certa independência e tranquilidade, porque têm famílias com graus académicos suficientes para os acompanharem, para outros, ficar em casa, sem computadores ao seu alcance, possivelmente, mal acomodados, por viverem em casas pequenas e com mais irmãos ou familiares, em ambientes onde o silêncio não é frequente e a paz nem sempre é regra, é natural que se sintam mais desconfortáveis e desamparados, desejando voltar à escola.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Não terem acesso aos computadores, peças indispensáveis para poderem conectar-se com os seus professores, não terem a possibilidade de estar mais isolados num espaço, em suas casas, que lhes permita uma receção eficaz das aulas, não terem uma rede de internet satisfatória, não terem uma família que os possa acompanhar e ajudar, por falta de conhecimento das matérias ou porque está também em teletrabalho, ou mesmo em trabalho normal, são fatores que podem prejudicar muito o sucesso escolar, acrescentando a tudo isso, o grande problema de uma deficiente alimentação, que é o grande problema social de muitas crianças, embora muitas escolas tentem dar-lhes apoio, através das respetivas autarquias.

Contudo, porque a situação epidemiológica assim obriga, para salvaguarda de possíveis contágios do vírus, existe, de todas as partes envolvidas neste processo, uma enorme vontade de encontrar soluções para as situações mais gravosas, começando pelos próprios Professores que abraçam tão grandes desafios com sacrifício mas com muito entusiasmo, procurando adaptar-se e valorizar a sua intervenção, de forma que os seus alunos não sejam prejudicados na aprendizagem e não sejam criados fossos que os impeçam de uma progressão normal na aquisição de conteúdos, indispensáveis à sua formação académica.

Há que realçar as preocupações com certas minorias de alunos com problemas especiais, como é o caso dos portadores de surdez, que podem contar com intérpretes de língua gestual.

Novas formas inovadoras de aquisição e transmissão de conhecimentos vão sendo utilizadas pelos Professores, atentos e desejosos da valorização do seu trabalho. Através dessas plataformas digitais de comunicação, tornam o ensino à distância, atrativo e mais rico, motivando os seus alunos a desejarem fazer uma aprendizagem com alegria.

Embora num âmbito totalmente diferente, em minha casa, o meu filho de 50 anos, desempregado, está em aulas de língua francesa, on-line, proporcionadas pelo IEFP. Claro que tem todas as condições necessárias para estar sozinho, sem ruídos à sua volta, bem instalado, e é com bastante empenho que todos os dias espera essa aula, que dura cerca de 4 horas, apenas com um breve intervalo. Até certo ponto, tem inúmeras vantagens com este tipo de ensino. Não precisa deslocar-se, gastar dinheiro em viagens, uma vez que o local da aula presencial era distante de casa, e está livre de qualquer ocorrência que pudesse possibilitar um contágio da doença que nos atormenta. Em todas as situações existe o lado positivo que temos que saber descobrir.

Neste momento que atravessamos e que tanta controvérsia suscita, creio que a união de todos os sectores da sociedade poderá ajudar a ultrapassar muitas das dificuldades que têm sido sinalizadas. Com boa vontade, tudo se poderá resolver.

Talvez, nas nossas mãos, estejam algumas hipóteses de colaborar com as crianças que não têm ainda um computador e estão esperando que o Estado satisfaça essa carência.

Se tivermos um computador que já não usamos, porque pudemos adquirir um melhor, pensemos que poderá servir para alguém, que dele precisa.

Cada um de nós, de qualquer maneira, poderá fazer a diferença e tornar uma criança, feliz.