Opinião - Graça Amiguinho
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“Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos,
A paz sem vencedor e sem vencidos!
Que o tempo que nos deste seja um novo Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos,
A paz sem vencedor e sem vencidos!
Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida,
Para entendermos vosso mandamento,
Para que venha a nós o vosso reino.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos,
A paz sem vencedor e sem vencidos!
Fazei Senhor, que a paz seja de todos.
Dai-nos a paz que nasce da verdade.
Dai-nos a paz que nasce da justiça.
Dai-nos a paz chamada liberdade.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos,
A paz sem vencedor e sem vencidos!”

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Há palavras que, pela sua profundidade e grandeza, o tempo nunca as poderá apagar e esquecer.

Assim leio e interpreto este extraordinário poema da imortal, Sophia de Mello Breyner Andresen, que um dia musiquei e cantei.

Para muitos poderá ser uma súplica piedosa ao Criador do Universo, para que se compadeça da humanidade, a liberte dos sofrimentos que lhe são infligidos, em tantas circunstâncias, pelos homens que têm nas mãos o poder de dirigir o mundo, dirigir as nações, dirigir as cidades e se esquecem que todos têm direito à Liberdade!

A Paz, no seu entender, é merecida por todos, os que vencem e os que são vencidos.

Porém, o homem, na sua ânsia de dominar, esquece-se, tantas vezes, que ao virar da esquina passa de vencido a vencedor, ou de vencedor a vencido.

Tudo seria muito mais fácil se quem vence, respeitasse o vencido e se o vencido não tentasse, por todos os meios ao seu alcance, denegrir a imagem do vencedor.

Infelizmente, assistimos a essas guerrilhas constantes, na vida política, apesar de vivermos em Democracia.

Quem hoje vence e no passado procurou dificultar a vida de quem tinha sido vencedor, certamente, ainda terá presente as guerrinhas caseiras, as maledicências, as falsidades, as palavras usadas com sentidos dúbios, as censuras com razão ou sem ela, a forma como se serviu dos meios de comunicação para fazer prevalecer a “sua verdade”.

O vencido de agora, terá que ter um comportamento diferente, se não quiser, no futuro, ter pesos de consciência.

Agir com dignidade, porque na vida, só sai vencedor, quem sabe perder e seguir de cabeça erguida, sem se perder nos meandros das futilidades.

Com uma atitude séria, atenta, interventiva pela positiva, novos caminhos se abrem, novas amizades se conquistam e o futuro se encarregará de mostrar a verdade.

De Norte a Sul de Portugal se verificaram alternâncias de poder nas autarquias. Elvas não é um caso único.

Desejo, sinceramente, que tanto vencedores como vencidos, esqueçam as quezílias do passado e unam vontades para tornarem a nossa terra mais próspera, mais atrativa e proporcionem às populações o bem-estar merecido e uma vida vivida com qualidade para os que enfrentam os problemas de desemprego, para os que sofrem na doença, para os que preparam o seu futuro nas escolas.

Elvas é o nosso concelho. Todos temos o dever de o acarinhar e respeitar.