Presépio ao Vivo - Praça da República, Elvas ©Elvasnews/Arquivo
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De todos os dias do ano, creio não haver maior movimentação de pessoas, do que nesta semana que antecede os Festejos do nascimento de Jesus Cristo, o Salvador, o Filho de Deus humanado, o Redentor, assim amado e venerado em todo o mundo que o segue, desde o princípio da nova era, a chamada “era Cristã”.

Para muitos, considerado um profeta, para outros, um mito, o certo é que a História guardou nas suas páginas, a curta vida deste Homem diferente, sapiente e com um espírito de justiça e bondade, alguma vez igualados.

Tão forte é a nossa crença e esperança nas palavras de humildade que ensinou, que o seu nome se impõe como uma luz que no mundo se acendeu, dando aos mais frágeis e desprotegidos o amparo e compreensão ansiados.

Desde os tempos mais antigos que a comemoração do nascimento de Jesus Cristo, o filho de Maria e adoptado por José, o carpinteiro, descendente da casa do rei David, foi sempre rodeado da maior ternura e poesia.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Quantos músicos têm composto as mais belas melodias baseadas na mais linda história da humanidade?

Quantos poetas, filósofos, teólogos e historiadores têm divulgado nos seus escritos, a mensagem de amor, esperança e solidariedade, que Jesus Cristo nos deixou?

Nem os que se proclamam “ateus” são indiferentes a este personagem histórico.

Ao nascimento do Salvador se foi associando a festa da família, a partilha de lembranças, a ceia da noite de Natal, a confraternização, os cantares, os momentos de são convívio entre amigos, o olhar para os mais desfavorecidos e rejeitados, o enfeitar com luzes de mil cores as ruas, as nossas casas, os espaços comerciais e públicos, enfim, um número incontável de actividades se desenrolam à volta desta bela festividade, ao ponto de se esquecer o que verdadeiramente ela significa.

Todos procuram encontrar a melhor prenda para oferecer à família, aos amigos ou até a um desconhecido.

As mães de família já estão preparando o que faz falta para a confecção das doçarias próprias deste tempo e que tanto reconfortam e agradam a todos.

As grandes tradições da minha Aldeia são as azevias, as filhós e os nógados.

Muitas vezes, todos esses fritos eram feitos na própria noite de Natal, à volta do grande madeiro, ardendo na lareira, onde toda a família se aconchegava.

Lembro-me do nosso encanto, ao vermos a minha Mãe e o meu Pai, tender tanta massa, fritá-la em azeite puro das nossas oliveiras, polvilhá-la com açúcar e canela e colocá-la em grandes alguidares de barro. Era uma alegria ter doces para tanto tempo, que comíamos a acompanhar as canecas de cevada ou o leite com café.

O encanto desses tempos vai-se perdendo um pouco, porque a distância dos que mais amamos é uma realidade que nos envolve, mas as recordações surgem sem dor e fazem parte da vida.

Que este Natal seja um tempo de paz e esperança para todos e que os sonhos de cada um tomem forma e tragam felicidade.

A todos desejo um Santo Natal!

Menino que estais dormindo,
nas palhinhas deitadinho,
olhai o pobre faminto
que vos olha tão mansinho.