Abraço de culturas – Colectânea 2022

Opinião - Graça Amiguinho
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Naturalmente, sinto uma imensa alegria por conseguir continuar a reunir à minha volta, escritores dos mais diversos extratos sociais mas que se respeitam e não temem mostrar o que lhes vai na alma, oriundos de Portugal, Galiza, Brasil, Moçambique e Timor.

É a quinta obra que organizo, ao longo dos últimos quatro anos e em todas criei fortes laços de amizade e partilha cultural.

“ABRAÇO DE CULTURAS” terá o seu grande momento, no próximo sábado, dia 18, aqui, em Gaia, estando tudo preparado para receber um grupo de 54 amigos Alentejanos que acompanharão a poeta participante, Isabel Figueira. Aqui somos igual número, pois os autores da Galiza, vindos de lugares distantes, não querem perder este grandioso momento cultural. Alguns participarão pela primeira vez, mas a maioria já esteve comigo ou em Santa Eulália em 2020, na apresentação da Colectânea “RAIA LUSO ESPANHOLA” e em 2021, na cidade do Porto, no lançamento da Colectânea “CULTURA SEM FRONTEIRAS”

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Perante tal entusiasmo, o meu desejo será continuar, continuar, enquanto tiver capacidades para dinamizar a Cultura e a união entre escritores de grande coração.

Quero dar-te um abraço, Tão sentido e profundo! Quero dar-te um abraço, Talvez, maior que o mundo! Quero darche unha aperta Tan sentida e profunda! Quero darche unha aperta, Quizais, mais grande que o mundo!

 Os rios me vão levando Ao encontro de culturas! Nas águas vou lavando, Meus desejos de aventuras.

Quero dar-te um abraço, Tão sentido e profundo! Quero dar-te um abraço, Talvez, maior que o mundo! Quero darche unha aperta Tan sentida e profunda! Quero darche unha aperta, Quizais, mais grande que o mundo!

Nada nos vai separar, Nesta vida que trilhamos! Porque sabemos amar E a todos respeitamos! Quero dar-te um abraço, Tão sentido e profundo!

Quero dar-te um abraço, Talvez, maior que o mundo! Quero darche unha aperta, Tan sentida e profunda! Quero darche unha aperta, Quizais, mais grande que o mundo

Neste vídeo poderá ouvir o hino que criei para esta obra literária e os seus autores.

A imaginação nos vai levando sempre mais além. Como tenho a felicidade de ter a meu lado um grande artista gráfico e sempre pronto a ouvir-me, o meu filho Rui Miguel Amiguinho Barros, tudo se torna mais fácil.

Colectânea 2022#2Este ano a nossa Colectânea foi publicada em 5 cores, símbolo dos 5 dedos das nossas mãos que escrevem, desenham, pintam, acariciam.

Lancei um repto aos autores e surgiram palavras maravilhosas que aqui quero deixar gravadas pelo grande significado que encerram.

 

São cinco as cores da nossa arte Pintadas sobre os dedos de uma só mão Num abraço que não se prende nem se parte Num abraço de homenagem e união A cor do abraço que aproxima para além do que se entende Para quem só num verso tudo sente E dá cor ao que o dia lhe faz presente Na sintonia perfeita de um povo irmão. São cinco as cores da nossa arte É única a cor da nossa mão.
@Paula Freire

Cinco cores e os cinco dedos da mão Cinco dedos, cinco sentidos! É o que eu preciso para transformar as três cores primárias, não em cinco mas, em mil matizes que prolongam seu eco e seus encantos num abraço profundo, onde todos, rompem a bruma e surge somente a Arte. Quiçá se revele o sexto ou sétimo sentido.
@Teresa Melo

O mencer, o sol, a terra, a floresta e o mar… cinco cores do arco da vella, cinco elementos da natureza, cinco graos do planeta que recollen os poetas para amasar a poesía…
@Armando González López

Coma se fosen flores de 5 pétalos! A maioría das flores teñen ese número de pétalos. Non se sabe moi ben por qué, mais a SERIE DE FIBONACCI fala da relación do número áureo coa disposición das sementes en espiral, no seu ordenamento, creando así un crecemento óptimo… Coma se fosen galaxias espirais de 5 puntas!!!
@Edu Carreira

 Cinco cores de pura ilusão. Tons pintados de eterna gratidão. Na poesia unidos pela sabedoria e razão. Flores pinceladas de amor e paixão.
@Daniel Braga

Uma brincadeirinha com os meus alunos e agradecendo-vos do Fundo do coração alunos do sexto ano Clara e Leonor

Colectânea 2022#3Com muita entrega e generosidade, 20 autores aceitaram a minha sugestão de gravarem um dos poemas editados na Colectânea, em CD.

 

Colectânea 2022#4Colectânea 2022#5

Guardei para o final este belo texto, escrito pela nossa amiga Risoleta C. Pinto Pedro, a quem pedi a gentileza de escrever o Prefácio da obra.

A todos, o meu profundo agradecimento por fazerem parte da minha vida e trazerem luz e paz aos meus dias.

PREFÁCIO

Um caminho entre o corpo e o espírito

No poema que serve de introdução, com autoria da grande dinamizadora desta colectânea, português e galego surgem unidos, como sinal antecipatório do abraço cultural que constitui este livro. Sendo alfabético o critério de seriação dos autores, não nos deixa descontentes que uma autora galega introduza esta galeria, pela sonoridade antiga e histórico-afectiva unificadora de memória, que o galego concentra. Aqui, galego e português têm representação quase igual, com ligeiríssima superioridade, em número, do português. Maioritariamente, os autores são da Galiza e do Alentejo, mas também ecos de: Astúrias, Timor, Paris, Brasil, Moçambique e Angola. O Porto com suas imediações, o Algarve, e pontualmente, o centro. Da Galiza, preponderância de Lugo. Na atenção que demos à diversificação dos participantes por origens, género, formação, profissão e modos literários, apercebemo-nos que também homens e mulheres se apresentam, não em número igual, mas equitativo, numa paridade quase exacta, com pequeníssima superioridade numérica feminina, sem expressão. Tal já não acontece com as formas de escrita utilizadas, onde prepondera, largamente, poesia em verso. Os restantes versam opinião, crónica, relatos e narrativas breves, género confessional e memorial e prosa poética. Autores já editados a nível individual, outros não tanto, alguns tendo participado em colectâneas, outros ainda quase estreantes, todos juntos numa comunhão fraterna em torno das origens, da escrita e da criação. Podem expressar-se exclusivamente pelo desenho, pintura ou fotografia, e uma parte significativa ilustra os seus textos com trabalho visual próprio. Há professores, ex-professores, homens e mulheres das mais variadas idades, formações e profissões, provenientes de áreas como economia, ciências exactas como a biologia e a matemática, farmácia, neurociências, biociências, ciências humanas como as da educação, sociologia, filologia e linguística, pedagogia, psicologia e psicoterapia, e música, artes plásticas, decoração, turismo, arte dramática, voluntariado, teologia e sacerdócio, função pública, direito, administração, agricultura e mundo rural e empresarial, hotelaria e cozinha. Um mosaico. Variedade já sentida em anteriores edições, onde a província espanhola da Estremadura esteve representada, o que nos leva a concluir que estas publicações devem ser vistas no seu conjunto, como se cada uma delas fosse uma página de uma colectânea maior que vai crescendo a cada ano e onde será possível sentir a respiração da Plaza Mayor de Salamanca, dos arcos do aqueduto e das belíssimas ruas de Elvas, da presença romana em Évora, do silêncio de S. Vicente e de Santa Eulália à hora do calor, do tocar a reunir antigo da mesquita islâmica da Andaluzia, ou da sinagoga judaica por todo o Portugal. Da arte viva que é Madrid, memórias da alma; ou da santidade de Santiago de Compostela e o rasto deixado pelos peregrinos irradiando em todas as direcções, memórias do espírito; e ainda a recordação dos chocolates da infância trazidos de Badajoz, memórias do corpo. Desta vez, a colectânea rumou decididamente a norte, o forte obreiro, a mostrar mais uma etapa da obra realizada, ao encontro do sopro de poetas como Rosalia, e de filósofos poetas como Agostinho da Silva, esse amigo da Galiza, que também criou, ele próprio, quadras ao gosto popular, ainda assim eivadas de sabedoria, experiência e pensamento. São conhecidas as suas frequentes idas à Galiza, que muito apreciava, quando regressou do Brasil, e já antes, em Buenos Aires, fizera amizade com Castelao. Refere o seu biógrafo, António Cândido Franco, que na correspondência de Agostinho com José Flórido, existem abundantes alusões às suas idas ao país natal de Rosalia. Em 72, por exemplo, escreve de um hostal no centro de Compostela. Em 71 escrevera, no local, o folheto “Compostela – Carta sem Prazo a seus Amigos”. Aí afirma que Compostela «lhe calharia bem por berço, se não fosse o Douro». Acrescenta o biógrafo que o filósofo «conviveu e acarinhou o velho burgo galego num período de quatro anos», entre 69 e 73. Agostinho fala dos galegos como seus amigos. Em 73 escreve a “Carta chamada Santiago” com uma quadra popular galega por mote: “Santiago de Galicia/ espello de Portugal, / axúdanos a vencer/ esta batalla real». Tenho a certeza que Rosalia teria gostado de nos acompanhar com poema seu, e Agostinho teria igualmente sorrido perante a ideia. Por isso os trouxe aqui.

Risoleta C. Pinto Pedro, 2 de Maio de 2022


A articulista actua como Colaboradora do Portal Elvasnews e o texto acima expressa somente o ponto de vista da autora, sendo o conteúdo de sua total responsabilidade.