Santa-Eulália-Elvas
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Hoje, dia da Terra, não poderia deixar de falar da Terra que eu amo, a planície onde nasci e onde tenho as minhas raízes.

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Nessa Terra onde vivi, uma partícula da imensa Terra, os nossos hábitos sempre foram muito de respeito e admiração pela natureza.

Numa pequena Aldeia, Santa Eulália, cercada de olivais, campos de trigo e de pastagens, o ar era de uma pureza incontestável, não havia poluição, pois sem indústrias nem grande movimento de automóveis, gozávamos de um ambiente que os grandes centros não tinham.

Os alimentos tinham um sabor especial, que guardo na memória. As ervas aromáticas eram o melhor tempero de qualquer refeição.

As galinhas, criadas no campo, depenicando a vegetação que a natureza lhes oferecia, faziam a mais delicada canja que se possa imaginar.

Os porcos, que nos montados se saciavam com doces bolotas, proporcionavam-nos os melhores enchidos, com que todo o ano nos íamos deliciando.

As ovelhas, as cabras e as vacas, criadas à vontade, em verdejantes pastagens, forneciam-nos o mais saboroso leite e o queijo que superava tantas outras faltas que tínhamos, na nossa alimentação.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Nos olivais eram colhidas belas azeitonas que, em azeite transformadas, ou bem preparadas com orégãos, laranjas e sal, serviam de acompanhamento das nossas açordas, gaspachos ou sopas de tomate.

As leguminosas, grão, feijão ou ervilha, tinham um sabor muito característico e com elas se faziam belas sopas, muito nutritivas.

A natureza, liberta de adubos e apenas enriquecida com a sementeira de tremoços ou o estrume dos animais, permitia a criação de alimentos mais saudáveis.

Neste tempo que hoje vivemos, assustados e confinados aos nossos lares, com o comércio, as fábricas, os serviços e os lugares de diversão, encerrados, apenas a natureza sai beneficiada.

Os campos estão mais verdejantes, o arvoredo com mais oxigénio nas suas folhas, os frutos crescem mais rapidamente, o céu está mais límpido, tanto nos campos como nas cidades, como resultado da diminuição da poluição. Toda a natureza está admirada com o comportamento do Homem.

Porém, se todas estas mudanças foram, maldosamente preparadas, por quem tanto tem contribuído para a destruição da Terra, não imagino um futuro risonho para a Humanidade.

Esperemos que isto seja apenas um sonho mau, que tanta vida já destruiu e que, um dia, possamos acordar num planeta mais humanizado, menos sedento de poder, no qual todos os seres tenham um lugar e a possibilidade de fazer da Terra o Paraíso prometido, onde o verdadeiro amor seja uma realidade.

Só assim poderemos ir reconstruindo a Terra com mais Justiça, Liberdade, Igualdade e Fraternidade, valores que a Democracia, instaurada em Portugal, em 25 de Abril de 1974, nos tem concedido e que todos devemos preservar!