Amar sem medida

Opinião - Graça Amiguinho
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A melhor forma de vivermos tranquilos, só pode ser encontrada, quando, na vida nos damos, sem medida, a quem amamos.

Depois da partida, apenas nos restam as boas recordações dos dias vividos em harmonia.

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É com essa paz de espírito que conseguimos encontrar força para caminhar e fazer de cada dia um recomeçar de esperança.

Há dois anos, quando perdi o chão, quando vi desaparecer o grande amor da minha vida, o meu companheiro de sessenta anos, com quem enfrentei bons e maus momentos, com a mesma coragem da juventude, a mesma união, o mesmo carinho e compreensão de sempre, a minha vida não podia ficar estagnada como se me tivesse afundado num pântano.

As horas de solidão sempre foram ocupadas com a escrita do que o meu sentir me ditava. Mas, tinha que fazer ainda mais. Esses poemas nascidos da dor que transbordava do mais íntimo do meu ser, tinham sons que lavavam as minhas lágrimas e eu os ia cantando, no silêncio que me cercava.

Nunca iria permitir que a tristeza destruísse tudo o que o meu amor maior desejava que eu fizesse. Afinal, ele continuava a meu lado, ouvindo-me, apoiando-me, alegrando-se com o que eu inventava.

Nestes dois anos de distância física, muito tenho feito, muitos sonhos tenho concretizado, com essa força que sinto vir de quem tanto me amava e a quem tanto amei.

Todos os que no Além estão olhando e vigiando os meus passos, porque foram amados incondicionalmente por mim, de nada mais precisam do que o meu eterno agradecimento, por quanto me deram, não bens de ordem material, mas espirituais.

Estão vivos no meu pensamento, acompanham-me em cada momento, riem se eu rio, choram se eu choro e eu sinto o calor dos seus beijos, o carinho dos seus abraços, a ternura dos seus olhares.

Todos os dias são nossos, todos os momentos são vividos nessa harmonia celestial, nunca nos separamos. Tantas vezes me vêm ao pensamento cenas que vivemos juntos, as nossas discussões, algumas discordâncias, mas os acontecimentos de perfeito entendimento sobrepõem-se, prevalecem no meu coração.

Fomos sempre muito simples, muito normais, sem darmos valor demasiado a certas coisas. Valorizávamos, sim, os sentimentos, as atitudes, os gestos, as boas ações.

Por isso mesmo, nunca demos grande importância a túmulos vazios, a manifestações vãs de amor, após a morte dos nossos familiares, tão queridos.

Nós sabemos que eles de nada precisam e nós, porque temos a consciência tranquila de muito os termos amado, não sentimos necessidade de mostrar ao mundo os nossos sentimentos de uma forma palpável.

O culto dos mortos é um ritual ancestral, porque o homem sempre temeu a morte. Porém, depois da vinda de Jesus Cristo, houve uma nova certeza, a certeza de que há vida para além da morte, uma vida espiritual, eterna.

É essa esperança de eternidade que nos impele a amar sem medida, a viver cada dia como se fosse o último na terra, esperando o reencontro, a merecida recompensa do bem praticado, com a convicção de que o Amor é mais forte do que a morte.

Nada ficou por dizer
Nada ficou por fazer.
A vida em nós se cumpriu.
O amor, a tristeza e a dor
Viveram lado a lado,
Com a alegria e o prazer
Da tua companhia.
(do meu livro, “Não te disse Adeus”)