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A Ana não veio

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Era para ter vindo, mas não veio.

Tomou-a uma gripe, foi o que disseram.

Ana Moura não veio a Elvas e, de momento, não é conhecida nova data para o concerto previsto para o coliseu elvense.

Depois de um concerto levado a cabo há pouco mais de ano e meio, com a casa composta, o regresso da fadista à cidade raiana não moveu os fãs que soma por estas paragens. Não tendo conhecimento do número de bilhetes vendidos até ao cancelamento do concerto, tenho dúvidas que fosse aos milhares.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Já há uns meses atrás, quando Mariza passou por Elvas em plena tournée internacional, o coliseu também não encheu e, à data, tive oportunidade de, uma vez mais, dar a minha opinião sobre o elefante branco edificado à entrada da cidade.

Pensou-se alto. Construiu-se, mas não se planeou.

Volvidos mais de dez anos sobre a data da sua inauguração, o coliseu elvense passa por uma considerável crise de identidade. Realizado para se afirmar como a maior sala de espetáculos entre Lisboa e Madrid, foram poucos os anos que cumpriu essa tarefa, tendo recebido nomes maiores da música nacional e espanhola.

O espaço é multifacetado, permite, comprovadamente, uma diversidade de espetáculos, mas representa elevadas despesas de conservação e manutenção que urgem ser suportadas pela rentabilidade que o próprio gere.

Aqui é que a porca torce o rabo.

Usado para corporizar os eventos ditos domésticos, o coliseu recebe, de vez em quando, alguns concertos de renome que, sendo originais, movem elvenses e, caso se justifiquem, pacenses e demais habitantes dos concelhos limítrofes. Contudo, não o sendo, destacam a massa crítica que não temos. Não temos capacidade para voltar e encher os milhares de lugares do espaço para, ao fim de um ano e meio, receber novamente Ana Moura ou Mariza ou outra artista de igual renome. À primeira, o efeito surpresa é catalisador.

Somos poucos, o poder de compra não é elevado e fazem-se escolhas para canalizar os parcos recursos dos orçamentos familiares.

Porém, se o coliseu não apresenta uma programação variada e de qualidade lá vem a habitual lamúria.

Preso por ter cão e preso por não o ter. Não é fácil agradar a gregos, nem a troianos.

Eleito e empossado que está mais um elenco camarário, deixo a dica para que reflitam sobre o futuro de um espaço com muito potencial, mas simultaneamente pesado para o erário público que precisa ser dinamizado.

Palavras leva-as o vento.

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Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.