Opinião - Graça Foles Amiguinho
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O mundo parece ter perdido a capacidade de análise dos dias que vive.

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Temos a sensação de que há uma pressa de viver e recuperar o tempo que passou, excessiva e, por vezes, com laivos de irreverência.

Entre as pessoas há e haverá sempre, diferentes formas de encarar os problemas, de os tornear e minimizar os danos causados pelas restrições que nos foram aconselhadas.

Tudo depende do espírito de cada ser humano e da sua capacidade de adaptação às circunstâncias que o rodeiam.

Sem pretender criticar ninguém, eu entendo que só comete exageros quem se sentiu aprisionado. Ao recuperar o que perdeu, ou achar que chegou o momento de retomar a normalidade, a ansiedade é má companhia e conduz a muitos excessos, tão maus como o medo que anteriormente dominou os seus comportamentos.

A partir do momento em que esta pandemia se instalou, criou o pânico entre a maioria das pessoas, levando-as a viver dias impensáveis de isolamento, saudades que têm amargurado as suas vidas, mudanças de atitudes entre as famílias, ou dominadas pelo receio de ser contaminadas ou pelo desejo de não contaminar ninguém, em virtude de os sintomas da doença nem sempre serem visíveis e facilmente detetados.

Os jovens viram-se limitados na convivência com os amigos e colegas de escola, muitos trabalhadores, ficaram retidos nas suas casas, em frente a um computador, os idosos sentiram-se completamente afastados dos seus familiares mais chegados e o desemprego ganhou asas e instalou-se em todas, ou quase todas as sociedades.

Enfim, foi vivido um tempo que traumatizou muita gente, criou depressão nos mais vulneráveis, destruiu relações de afeto, diminuiu a qualidade de vida de muitas pessoas que deixaram de passear livremente, viajar, distrair-se e conviver.

Comigo e com os meus filhos, nenhuma destas situações nos incomodou.

Fizemos sempre a nossa vida, normalmente, embora nos tenhamos afastado dos lugares mais frequentados.

Porém, esta pandemia possibilitou-nos a possibilidade de visitar, sem qualquer tipo de problema, Museus, Igrejas, Parques, Praias, sem que prejudicássemos ninguém, nem houvesse alguém que nos incomodasse.

Inclusivamente, fomos ao estrangeiro, após eu ter contraído o Covid-19, e estando já recuperada, fisicamente. Recebi na minha casa, amigos e familiares, vindos de outro país, sem qualquer receio.

Ocupei muitas horas do meu dia, organizando, durante a pandemia, duas colectâneas, através da Internet, com escritores, poetas, artistas portugueses e da vizinha Espanha, designadamente da Extremadura, Galiza e Astúrias.

Ajudei novos escritores a realizar o sonho de verem os seus trabalhos editados em livro.

Gravei músicas que criei, em estúdio.

Não perdi tempo a lamentar a minha vida e os meus desgostos.

Seria a minha atitude uma loucura, comparada com o que via à minha volta?

Mal do mundo se os Profissionais de Saúde e seus colaboradores ficassem fechados em casa!

Mal do mundo se os Bombeiros, Agricultores, Empregados de Supermercados, Farmacêuticos, e outras profissões que nunca pararam, como os condutores de Táxis, Camionistas, Comboios, Profissionais de Lares, Funerárias, tivessem medo de ser contaminados!

Creio que o bom senso deve prevalecer para que não haja desvios comportamentais, cujas consequências são imprevisíveis, porque, apesar da vacinação decorrer a bom ritmo em muitos países, o vírus continuará a circular, embora não tenha as mesmas hipóteses de matar, como aconteceu até aqui.

Cada pessoa deve procurar encontrar o equilíbrio e recuperar os seus hábitos de vida, embora com algumas precauções.

Porém, adiar a vida indeterminadamente, não me parece ser a melhor opção.

Vamos tentar encontrar a tranquilidade para não cometermos erros com a ânsia de viver.