Estrela-no-céu
   Publicidade   
   Publicidade   

Opinião de Graça AmiguinhoMal entramos no universo dos humanos, a vida torna-se, imperiosamente, uma constante aprendizagem.

   Pub 
   Pub 

O instinto, em primeira mão, nos ajuda a defender do essencial, a fome.

Precisamos logo de comer para sobreviver, pois foi para viver que nascemos, sem o sabermos.

Aprendemos depois a reconhecer os sons da vozes que nos rodeiam, os cheiros, as carícias com que nos afagam, o calor ou o frio da água com que nos lavam e tantas coisas, tão primárias, que nem sequer é preciso qualquer esforço para que aconteçam, como respirar, urinar ou defecar.

Mais tarde, vamos tomando consciência dos olhares que em nós poisam, das palavras que nos dizem, dos passos que nos ensinam a dar e, assim, iniciamos a grande aventura de exploração do meio em que vivemos e da família que nos deu vida.

Começamos a desenvolver os afetos e a sentir preferência por certas pessoas, sem que isso signifique que as outras nos tratem menos bem.

É sinal de inteligência e raciocínio em evolução, pois assim se manifesta a capacidade de escolha em tudo.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Chegando à idade escolar, muito mais ricos ficamos com a vivência numa comunidade mais alargada. Normalmente, gostamos dos professores que nos ensinam, das empregadas que nos vigiam nos recreios e criamos verdadeiros laços de amizade com os colegas de turma ou até com outros, para toda a vida.

Atingida a puberdade com a evolução do corpo, despertam outros sentimentos e surgem as primeiras escolhas amorosas. Umas passageiras, outras para sempre, como foi o meu caso.

Aos 13 anos, disse sim ao meu namoradinho de 14, e seguimos juntos 60 anos, sem nunca nos separarmos espiritualmente, tendo contraído matrimónio em 1969.

Uma vida repleta de muitas emoções, aprendizagens, sonhos, ilusões, trabalho, percas e tristezas, mas sempre procurando aceitar e não transformar a nossa vida nem em inferno, nem em purgatório.

Fizemos dela um céu onde, de mãos estendidas, braços abertos, todos têm tido o seu lugar e com tudo e todos aprendemos sempre alguma coisa ou tirámos lições que nos ajudaram a fortalecer os laços que nos unem.

A família de onde viemos fica eternamente em nossos corações e a família que criamos é o nosso apoio, o nosso conforto, nas horas boas ou más.

Chegar a cada momento da nossa vida com a certeza de que somos amados, é o maior bem que qualquer ser humano pode desejar.

Amar sem limites, dar-se sem reservas, quando os que amamos de nós precisam, é a mais nobre forma de amar.

Não há mais belas rosas do que as do amor, não há maior conhecimento do que saber entender quem de nós precisa, sem que seja necessário dizê-lo.

Na reta final, quando a vida foge, uma vez mais somos confrontados com a triste realidade de uma aprendizagem dolorosa e, embora de asas quebradas como ave ferida, é preciso aprender a viver a solidão, tirar dela o melhor que nos possa dar, para o repartirmos com quem está em igual situação e se deixa cair em desespero.

Cada dia será uma nova aprendizagem, quando as horas são intermináveis e já não está, ao nosso lado quem nos ouvia, quem nos aconselhava, quem nos sorria e beijava.

Mas o amor, o amor verdadeiro, nunca será destruído nem a morte o poderá, jamais, vencer.