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Os investigadores das ciências do desporto dedicam-se a avaliar os mais variados contextos desportivos. Sejam de recreação, lazer, relacionados com a saúde ou com o rendimento/performance de desportistas e/ou equipas. É um desafio constante a necessidade de avaliar diversos praticantes ao longo do tempo. Obter informação (recolher dados) é um processo trabalhoso que não está ao alcance de todos. Requer rigor, treino, conhecimento e autocrítica nos momentos da avaliação, da codificação, análise e interpretação.

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No desporto, a evolução tecnológica tem facilitado a produção de instrumentos precisos capazes de avaliar desportistas e/ou equipas de modo célere. No “desporto rei” em Portugal (o tão conhecido futebol) raras são as vezes que não reparamos a utilização de dispositivos pelos jogadores, como por exemplo os GPS que muitas vezes incluem também acelerómetros. Falamos de dispositivos com menos de 5 cm de tamanho, mas tem capacidades variáveis de registos. Normalmente, é possível armazenarem quantidades de 1 a 100 registos por segundo, dependendo dos instrumentos.

O maior e mais actual desafio das ciências do desporto não reside na recolha, análise e interpretação dos dados recolhidos. Essa está assegurada com o conhecimento dos investigadores. A estes, compete a responsabilidade de processar a informação de forma a reduzir, obter e isolar aquilo que será determinante para o sucesso dos desportistas e equipas. Mas quanto de quanto, seria o trabalho de um analista/investigador? Considerando o exemplo anterior (GPS), durante 90 minutos falaríamos numa quantidade de 5.400 a 540.000 registos por jogador. Considerando 11 jogadores (análise de uma equipa) seria necessário analisar cerca de 5.940.000 registos por variável e por jogador. Salientamos que, do exemplo fornecido é possível avaliar velocidade, distância, acelerações e muitas outras métricas. As análises são trabalhosas e há necessidade de as simplificar, pelo analista e/ou directamente pelo instrumento.

Em Portugal produz-se ciência reconhecida internacionalmente, temos reconhecidos investigadores internacionalmente. Somos destaque pela inovação tecnológica nas ciências do desporto e vários cientistas baseiam as suas práticas em tecnologia portuguesa. No entanto, cada vez mais, os media divulgam a ciência que remete as notícias para os textos originais (artigos científicos publicados em jornais da especialidade), descodificando a informação. Este é o novo objectivo dos investigadores, onde as quantidades absurdas de registos se traduzem em variáveis abreviadas. Vemos artigos escritos com tantas abreviaturas, que remetem para uma linguagem que apenas o autor conhece. Procuramos no ensino superior politécnico promover a investigação aplicada, orientada para as empresas e para o desenvolvimento tecnológico. O desafio será descodificar a informação, simplificar as análises, a escrita e a interpretação para promover os avanços na investigação e desenvolvimento.

Para o espectador de um simples jogo de futebol, os resultados de um jogo, permitem interpretações simples. Surge, instantaneamente, a resposta de quem foi melhor em alguns parâmetros. Que tal esteja presente quando investigadores, analistas e académicos desenvolvem os relatórios. Uma sociedade informada é uma sociedade evoluída, no entanto deverá haver o cuidado, essencialmente na academia (instituições de ensino superior), de simplificar a mensagem.

Pedro Forte (ISCE Douro)

Professor Coordenador do Departamento de Desporto do ISCE Douro. Doutorado em Ciências do Desporto pela Universidade da Beira Interior, Mestre em Exercício e Saúde e Licenciado em Desporto pelo Instituto Politécnico de Bragança. O seu trabalho de investigação tem vindo a abordar questões relacionadas com o exercício enquanto promotor de indicadores de saúde e com a performance desportiva.