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As lutas da vida, a coragem e a Fé

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Só quem enfrentou ou enfrenta dificuldades, sabe dar valor aos que sofrem e lutam pela sobrevivência.

A vida não é um mar de rosas sem espinhos. Todos lhe sentimos o perfume e o espetar dos espinhos no corpo ou na alma.

É a luta, a dureza dos momentos vividos e a forma como os encaramos que vão modelando o nosso caráter, a nossa personalidade e construindo, algo de mais profundo, a que chamamos sensibilidade.

Talvez eu não fosse o que hoje sou se não tivesse enfrentado tantas batalhas, tantas desilusões e não tivesse sabido sair delas sempre de cabeça erguida e com esperança em dias melhores.

O sorriso que me aflora aos lábios é feito de muitas vivências, muitos momentos em que, em vez de lágrimas e desânimo, dei aos que me rodeiam, esse sorriso de carinho, esse gesto de muita ternura, sinal de que o meu coração está sempre pronto a acolher quem nele precise encontrar conforto e aconchego.

Não me reconheço como uma heroína das que ficaram na história, mas faço parte do enorme grupo de anónimos que sabem viver com amor.

Cedo me confrontei com a dor, o sofrimento e as carências económicas. Mas nada me marcou negativamente, pois em mim houve sempre a luz da esperança que iluminou o meu caminhar.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

A maior provação surgiu quando fui mãe, momento sonhado e desejado, com todo o amor do mundo.

Hoje, como ontem, nunca me foi difícil falar desse acontecimento, não para que alguém me julgue um ser superior, mas para dar ânimo aos que não têm a minha coragem e determinação.

Não é, de forma alguma fácil, ter um filho com limitações que sabemos que o acompanharão toda a vida.

Mas é fundamental não fazermos disso um drama nem criarmos barreiras que nos isolem do mundo e da alegria de viver.

Foi essa atitude positiva que ajudou o meu filho a ser um homem maravilhoso, amável, criativo, trabalhador, empreendedor e alegre.

Por ele tudo fizemos para que fosse feliz, para que ninguém o inferiorizasse, para que pudessem desabrochar as suas faculdades e ser uma pessoa útil à sociedade.

Tudo arriscámos e muito perdemos nessa grande aventura de lhe proporcionarmos uma forma de vida independente.

Muito sofrimento e ansiedade sentimos, mas sempre de consciência tranquila, pois tudo o que fizemos foi por amor.

Porém, como a vida é um rosário que vamos desfiando, a doença vai batendo a todas as portas e, à minha também chegou, de forma bem violenta, pois o amor de toda a minha vida é um doente cardíaco crónico com todas as limitações que uma situação dessas acarreta.

Com muita fé e confiança temos ultrapassado muitos momentos de preocupação, muitas incertezas, sempre com um sorriso, com a maior dedicação e atenção a todos os sinais que possam surgir.

Quantos e quantos de nós vivemos nesta corda bamba que é a caminhada do nosso dia a dia, umas vezes iluminada, outras às escuras, sem sabermos como nos segurar, às vezes caindo, outras vezes tropeçando e voltando a erguer-nos com determinação para recuperarmos as energias e continuarmos?!

A luta, a coragem e a presença de espírito das 12 crianças e do treinador, também um jovem, da Tailândia, são o sinal bem evidente de que vale a pena viver, vale a pena lutar e ensinar ao mundo que é nas dificuldades que se fortalece a alma e se constrói a esperança.

Que cada um encontre a pérola preciosa da coragem que faz de nós os pequenos heróis, sem nome, neste mundo tão bonito em que nos foi dado viver.