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Opinião de Graça Amiguinho

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Luís Vaz de Camões e a sua alma profundamente poética, é fonte de inspiração para quem gosta de escrever e transmitir aos outros o seu sentir, sob a forma mais nobre da literatura, a Poesia!

Conhecer tão grande vulto, é sempre uma descoberta que me encanta e me seduz, porque vou encontrando motivos fortes, que justificam o meu interesse por ele.

Ultimamente, porque tenho ido estreitando laços culturais e de amizade, com escritores da Galiza e da Extremadura espanhola, tentei encontrar laços e afinidades entre Luís Vaz de Camões e a nossa vizinha Espanha.

Surpreendente e maravilhoso o que me foi dado descobrir. Camões foi seguido e até foi exemplo para um grande escritor espanhol, nascido após a sua morte, Francisco de Quevedo!

Foi tal o meu encanto que os seus poemas fazem a “Introdução” da Colectânea Raia Luso Espanhola, da qual já aqui falei noutra ocasião.

Vou transcrever os seus dois sonetos, que o meu prezado leitor gostará de ler e verificar as afinidades, entre eles.

Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde, sem se ver,
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente
É um contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade,
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos, amizade

Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

“Francisco de Quevedo, ao acolher o mesmo tema acolhido por Camões, elabora uma paródia ao poema deste, chegando mesmo a transcrever-lhe integral e deliberadamente alguns versos, sem que, com isso – e esta é uma percepção que também se funda na excelência da produção do espanhol! – se possa caracterizá-la como um plágio.

De similar, persiste o jogo antitético e antinómico da criação primeira, embora se perceba na paródia algo que se lhe aproxima do jocoso, afastando-a, por isso mesmo, da modulação mais contida do soneto originário. Se estivéssemos na seara da música clássica, diríamos: ao andamento grave de Camões, sobreveio um ‘vivace’ hispano!”

Definiendo  el  Amor

Es hielo abrasador, es fuego helado,
Es herida que duele y no se siente,
Es un soñado bien, un mal presente,
Es un breve descanso muy cansado.

Es un descuido que nos da cuidado
Un cobarde con nombre de valiente,
Un andar solitario entre la gente
Un amar solamente ser amado.

Es una libertad encarcelada,
Que dura hasta el postrero paroxismo;
Enfermedad que crece si es cuidada.

Éste es el niño Amor, éste es su abismo.
Mirad cuál amistad tendrá con nada
El que en todo es contrario de sí mismo.

Achei  também, muito interessante, o que encontrei sobre as Origens da Família do nosso grande Poeta, que transcrevo:

“A Casa ancestral dos Camões tinha as suas origens na Galiza, não longe do Cabo Finisterra. Por via paterna, Luís de Camões seria descendente de Vasco Pires de Camões, trovador galego, guerreiro e fidalgo, que se mudou para Portugal em 1370 e recebeu do rei grandes benefícios em cargos, honras e terras, e cujas poesias, de índole nacionalista, contribuíram para afastar a influência bretã e italiana e conformar um estilo trovadoresco nacional. O seu filho Antão Vaz de Camões serviu no Mar Vermelho e casou-se com Dona Guiomar da Gama, aparentada com Vasco da Gama. Deste casamento nasceram Simão Vaz de Camões, que serviu na Marinha Real e fez comércio na Guiné e na Índia, e outro irmão, Bento, que seguiu a carreira das Letras e do sacerdócio, ingressando no Mosteiro de Santa Cruz dos Agostinhos, que era uma prestigiada escola para muitos jovens fidalgos portugueses. Simão casou com Dona Ana de Sá e Macedo, também de família fidalga, oriunda de Santarém. Seu filho único, Luís Vaz de Camões, terá nascido em Lisboa, em 1524. Três anos depois, estando a cidade ameaçada pela peste, a família mudou-se, acompanhando a corte, para Coimbra.”

Hoje, Luís Vaz de Camões é, para todos portugueses, um Símbolo Nacional!

Não de agora, mas desde a ocupação espanhola, em que o rei Filipe II de Espanha mandou imprimir duas traduções em castelhano, dos Lusíadas!

A partir do séc. XIX, Camões tornou-se particularmente importante em Portugal

Durante o “Estado Novo”, a sua obra tornou-se um instrumento de propaganda do regime.

Três anos após a Revolução de 1974, Camões foi associado, publicamente, às Comunidades Portuguesas de Além-Mar, sendo a data da sua morte “O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”para que desaparecesse a imagem de um Portugal Colonizador e se criasse um novo senso de identidade nacional que englobasse muitos emigrantes portugueses, espalhados pelo mundo.

Com a criação do Instituto Camões em 1992, o nome do Poeta surge como símbolo de união de todo o mundo lusófono!

Camões será o eterno, “Maior  Poeta Português de todos os tempos!”