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A música, minha paixão, conduz-me por caminhos diversos em busca das suas origens nas nossas raízes culturais, associadas às mais puras tradições da nossa terra alentejana e das suas gentes trabalhadoras.

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Nada melhor do que ouvirmos e nos deliciarmos com as mais lindas vozes que dão à nossa imaginação a possibilidade de nos evadirmos do bulício da vida moderna e mergulharmos na beleza incontestável da planície.

Bem perto de nós temos um manancial de belas vozes e bailadores que têm levado o nosso Alentejo a ser amado por gentes de outras terras.

Não se sabe qual a razão porque se chamam «Saias» à moda mais característica do Alto Alentejo.

Terão tido a sua origem no Séc XVI como danças palacianas que o povo foi adaptando à sua mentalidade. A partir do Séc XIX foram-se transformando numa dança tradicional.

«Saias» é uma dança associada simbolicamente ao nosso Norte Alentejano em que há uma inter-relação entre o homem e a mulher em toda a sua beleza e simplicidade.

“Canto a minha terra, a minha gente ! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Talvez por influência da nossa  fronteira com Espanha e pelo domínio dos Filipes no nosso território, já no Séc XVII se dançavam “Saias”, muito embora com um estilo algo diferente, com um toque Andaluz.

O distrito de Portalegre é uma região de Portugal das mais ricas musicalmente. Aqui, o povo não só cantava no campo, durante o duro trabalho para aliviar o cansaço como nas ruas, nas romarias, nos largos das suas terras e nas igrejas.

Associado ao lindo e nostálgico Cantochão, divertia-se com um canto mais alegre e próprio para dançar.

São do conhecimento do povo quadras como esta:

As Saias, meu bem, são saias,
São saias que andam na moda.
Segura-te bem não caias,
Que elas têm pouca roda!

Pediste-me uma laranja,
Meu pai não tem laranjal.
Ai se queres um limão doce,
Vai à porta do quintal.

Vai à porta do quintal,
Que lá “stá o limoeiro.
Ai não há para armar cantigas,
Como é um rapaz solteiro.

As Saias apresentam-se de várias formas:

  • Saias Velhas – antigas em estilo de valsa – mazurca;
  • Saias Novas – dançadas hoje sob a forma de valsa campestre;
  • Saias aiadas – aquelas em que um dos cantores grita um «ai» no estribilho, no momento de os bailarinos darem a volta.

As “Saias” são modas cantadas cujo tema pode ser variado: de amor, de escárnio ou mal-dizer mas sempre ao «despique ou desafio». Os intervenientes são geralmente um homem e uma mulher mas, se não houver homens para o despique, são as mulheres a fazê-lo, assim como, se não houver mulheres, serão os homens que o fazem entre si.

Hoje dançam-se e cantam-se as “Saias” ao som de harmónio, concertina ou acordeão, acompanhadas com reco-reco, ferrinhos, adufe ou pandeiretas.

Está na forja um novo Grupo de Danças e Cantares do Norte Alentejo congregando gentes de Santa Eulália, Campo Maior, Arronches e Monforte. Será um projeto inovador e revolucionário como dizem os  seus fundadores – Gonçalo da Câmara Pereira, Anabela Vitória e Carlos Santos.

Apoio com muita espectativa a iniciativa e desejo as maiores felicidades para que seja mais um elemento a enriquecer o nosso Património Cultural e Musical alentejano.