Autarca de Vila Viçosa contesta corte de estrada “sem aviso prévio”

Linha Évora-Caia, Infraestruturas de Portugal
©Infraestruturas de Portugal
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O presidente da Câmara de Vila Viçosa, Inácio Esperança, contestou hoje o corte “sem aviso prévio” de uma estrada municipal no seu concelho, devido às obras da nova ferrovia Sines/Caia e admitiu avançar com uma providência cautelar.

“Se não forem criadas alternativas” para a ligação entre São Romão, no concelho de Vila Viçosa, e Juromenha, no concelho de Alandroal, “avançamos com uma providência cautelar”, avisou o autarca, em declarações à agência Lusa.

Em causa está o corte da Estrada Municipal (EM) 1047 no troço entre a povoação de São Romão, no concelho de Vila Viçosa, e a Estrada Nacional (EN) 373, junto a Juromenha, no concelho de Alandroal, no distrito de Évora.

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O presidente do município disse ainda ter ficado surpreendido com o corte da estrada, ocorrido desde segunda-feira, alegando que a autarquia não foi previamente informada sobre a interrupção da circulação rodoviária.

“Suponho que seja devido às obras da ferrovia, mas ainda não me disseram nada. Nem o porquê, nem o motivo de não haver alternativas. Até nem sei se a autoria do corte foi da IP [Infra-estruturas de Portugal] ou de outra empresa”, salientou.

Contactada pela Lusa, fonte da IP assumiu que houve “um lapso” na comunicação da empresa com a Câmara de Vila Viçosa sobre o corte da estrada e admitiu que a autarquia “não foi devidamente e previamente informada”.

“Os serviços da IP já contactaram a câmara e pediram desculpa”, assinalou.

A mesma fonte indicou que este corte da EM1047 deve-se à “execução de uma passagem superior” da nova ferrovia Sines/Caia, limitando-se a adiantar que, nesta fase, a circulação rodoviária estará interrompida “por um período estimado de quatro meses”.

Segundo o município, outras entidades, como a Junta de Freguesia de Ciladas, os Bombeiros de Vila Viçosa e a GNR também não receberam qualquer informação sobre o corte do trânsito nesta estrada.

Nas declarações à Lusa, o autarca revelou que foi, entretanto, marcada para quarta-feira uma reunião com a IP para abordar o corte da EM1047.

Advertindo que a população de São Romão ficou “privada da estrada sem aviso prévio”, o autarca adiantou que “muitas pessoas” desta freguesia rural “trabalham em Juromenha ou nas imediações, em propriedades agrícolas, e em Alandroal”.

Estas pessoas estão agora obrigadas a fazer “mais 30 ou 40 quilómetros diários”, vincou.

De acordo com o autarca, o corte da EM 1047 ocorre na zona das obras de construção da futura linha ferroviária Évora-Caia, na área geográfica do concelho de Alandroal, tendo sido colocado um “sinal de estrada sem saída” junto à povoação de São Romão.

Inácio Esperança alertou ainda que o piso daquela estrada encontra-se “completamente degradado”, atribuindo a situação à passagem de “camiões com tonelagens exageradas de subprodutos e de gravilha para a obra”.

“Ainda ninguém nos disse o que é que se vai fazer àquela estrada no final da obra”, acrescentou.

Estão em fase de obra os quatro troços que vão integrar o Corredor Internacional Sul, entre Sines e a fronteira do Caia, em Elvas (Portalegre), no âmbito do Programa de Investimentos na Expansão e Modernização da Rede Ferroviária Nacional “Ferrovia 2020”.

O projecto pretende reduzir o tempo de trajecto, em consequência da utilização de comboios de tracção eléctrica entre Sines e Caia, e “aumentar a eficiência e atractividade” do transporte ferroviário de mercadorias, ao permitir a circulação de comboios de mercadorias com 750 metros de comprimento.