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Badajoz à vista

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Diz o povo e com razão: “faz mais quem quer do que quem pode”.

Badajoz, a cidade vizinha, irmã, apresenta um património militar vítima da ação humana e que, infelizmente, não sobreviveu incólume como o nosso. Meia dúzia de portas, da muralha que outrora a cercou, um forte cuja requalificação é criticável, a Catedral e algumas igrejas: é tudo.

Ainda assim, a iniciativa está lá, a vontade de empreender, e nisso batem-nos aos pontos.

Por estes dias, Badajoz desdobra-se em iniciativas para despertar o interesse de turistas e visitantes.

Ao final da tarde, junto ao rio Guadiana, o pôr-do-sol faz-se ao som de música, atraindo dezenas de pacenses que, em família, usufruem do espetáculo. Também os monumentos têm portas abertas, de dia e ao serão, disponíveis para quem os queira visitar.

O Fuerte de San Cristobal é palco de visitas temáticas, espetáculos de fado e observação de perseidas que, na noite de sábado, se tornaram, uma vez mais, visíveis.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

E nós por cá?

Com a cidade cheia de elvenses emigrados, visitantes e turistas, o que temos nós para oferecer?

Pouco mais que nada.

Valha-nos o Festival Internacional de Folclore que, um ano mais, dá vida à Praça da República nas quentes noites de verão.

Podia fazer-se mais?

Podia e devia, basta que se observe o exemplo vizinho.

Com o centro histórico repleto de edifícios históricos, igrejas e um vasto património ímpar, cuja beleza merece uma observação diurna mas também noturna, fácil seria tornar o centro histórico mais vivo, nem que fosse nos fins-de-semana. Abrir portas, deixá-los disponíveis para um olhar diferente, mais atento, detalhado, a descoberta de um pormenor.

Faltam ideias? Falta a disponibilidade de recursos humanos? O que é que nos condiciona? Está cá tudo.

Há que sair da caixa, inovar, exibir a nossa essência, mostrar-se ao mundo, com orgulho. Cada visitante que por nós passa pode ser um embaixador da Elvas que encontre, se lhe reconhecer encanto, se o marcar pela positiva, se o souber acolher.

Não basta destacarmos, até à exaustão, o potencial já reconhecido. É preciso que se saiba valorizá-lo, apresenta-lo e torna-lo ainda mais exclusivo.

Pelo dinheiro que não seja, há fórmulas baratas e bastante eficazes.

Este verão já vai adiantado, mas outros virão. Fica a dica.

Palavras leva-as o vento.

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Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.