Badajoz-à-noite
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Opinião de Risoleta C Pinto Pedro

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Foi-lhe posto o nome pelos árabes, que a fundaram sobre um povoado visigótico, e é muito bonito em sonoridade na versão castelhana que todos conhecemos, muito mais bonito que no português vernáculo usado até ao período dos Filipes ou em galego, tenho de admitir.

A parte de que mais gosto é a antiga, porque me aproxima mais da alma da cidade.

Ali irá ter lugar o segundo lançamento da Colectânea Eurocidade onde, com pena, não conseguirei estar presente.

Sempre que vou ao Alentejo (poucas vezes, para o meu gosto, para a minha nostalgia, para as minhas saudades) ponho-me em bicos de pés a tentar descortinar Badajoz ao longe. Já me sinto feliz quando lhe vejo o vulto. Por isso tenho andado, aqui no centro por onde me desloco, em bicos de pés e pescoço esticado tentando ver, através do desejo de lá estar, as minhas recordações de quando por lá andei.

Entre planícies isto revela-se quase impossível, mas de alguns lugares mais altos é possível vê-la.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Risoleta C Pinto Pedro
Natural de São Vicente e Ventosa, Risoleta C Pinto Pedro é Escritora nas áreas do romance, novela, conto, poesia, teatro, crónica periodística e radiofónica! É membro do Gabinete de Estudos Agostinho da Silva e do Projecto António Telmo!

Numa das minhas visitas, pude percorrer algo que já não sabia, à distância, se se trataria de um Museu ou de uma Galeria de Arte Contemporânea, mas consegui esclarecer tratar-se do Museu Estremenho e Ibero-Americano de Arte Contemporânea, antiga prisão, edifício circular, perfeito para o propósito com que foi concebido, pois permitia vigiar amplamente os prisioneiros. Já aí existira, anteriormente, um forte. Não me recordo bem do acervo, mas tenho memória da presença de peças de arte portuguesas e de vir de lá com uma boa impressão sobre o trabalho alquímico ali realizado. Da privação de liberdade à arte, uma das melhores formas de praticá-la e defendê-la. Com a presença de artistas portugueses como Helena Almeida, Armando Alves, Cabrita Reis, Pedro Calapez, Rui Chafes, para citar alguns.Museu-Badajoz Sendo Armando Alves praticamente vizinho, ali de Estremoz, amigo e ilustrador de um autor e filósofo de quem já aqui falei, António Telmo, durante muitos anos residente e grande amigo do Alentejo. E de Badajoz, de cuja livraria Universitas era visitante regular e em cuja biblioteca particular é possível encontrar vários livros lá adquiridos.

Aproveito para recomendar, a quem estiver presente, uma visita ao Museu, pois abrirá, no dia 31 deste mês, dia da publicação da presente crónica, uma exposição organizada a partir da sua exposição permanente de artistas portugueses.

O leitor poderá ver, na sua página, o seguinte texto:

Livraria Uiversitas, Badajoz“La colección inicial del MEIAC incluyó los nombres más emblemáticos de la plástica contemporánea en el país vecino, reuniendo representantes de varias generaciones y lenguajes estéticos diversos, desde los que se formaron y afirmaron internacionalmente en la década de los sesent-setenta hasta aquéllos que fueron los protagonistas de la década de los ochenta y  definieron el arte portugués de los noventa y desde entonces hasta ahora. De forma discontinua y sin vocación de ser exhaustiva la colección ha continuado incorporando obras y nombres de referencia, ha sido completada y reforzada, siempre con un carácter abierto, dando cabida a nuevos medios de expresión artística entre los que el arte digital há tenido especial relevancia.  Esta exposición es una primera aproximación, una mirada en perspectiva, a la colección portuguesa del MEIAC, en un recorrido por obras y artistas de obligada referencia en el arte portugués contemporáneo.”

Exposição portuguesesSobre Badajoz de outros tempos, imagino, por me ter sido contado, algo sobre o qual já escrevi antes: «a minha mãe jovenzinha, de mota, atrás do meu avô, atravessando a fronteira a caminho da cidade. Eu ainda não tinha nascido, nem sequer tinha sido concebida, mas de certeza que já andava, em espírito, a rondar aquelas terras. A gente escolhe, antes de nascer, o sítio para aterrar. Pelo menos há quem o diga (Agostinho da Silva tem uma bela página sobre isso), e não tenho nenhum motivo para duvidar.»

«Pode até ter acontecido ter feito pontaria para nascer em Badajoz e porque a minha pontaria nunca foi muito boa, ter ido parar ali ao lado, pertinho de Elvas. Também não foi má escolha. Ou por ter visto a minha mãe tantas vezes por lá, ter pensado que ela era de Badajoz e vai daí era da cidade vizinha. Enfim… especulação e imaginação não faltam por estes lados.»

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Risoleta C Pinto Pedro
Risoleta C. Pinto Pedro nasceu em S. Vicente e Ventosa, Elvas. Vive em Lisboa, foi professora de língua e literatura numa escola de ensino artístico e é escritora nas áreas do romance, novela, conto, poesia, teatro, crónica periodística e radiofónica (“Antena 2") , ensaio, cantata, ópera, musical, canção (libretos para os compositores Jorge Salgueiro e Paulo Brandão), alguns posteriormente editados em BD e CD. Excluindo parcerias e colectâneas ou revistas, tem, a título individual, vinte e duas publicações, sendo as mais recentes: Mater, Útero de Romã; O sol do Tarot de Sintra; Happy Meal, Manjar Sentimental (ficções), Cantarolares com Sabor Azul (poesia), Àvida Vida (poesia) A Literatura de Agostinho da Silva, essa Alegre Inquietação e António Telmo, Literatura e Iniciação (ensaios). Prémios: poesia pela SLP; na narrativa: A Criança Suspensa, Prémio Ferreira de Castro; e O Aniversário, Prémio APE. É membro do Gabinete de Estudos Agostinho da Silva e do Projecto António Telmo, cujas obras vem estudando e sobre as quais vem escrevendo e fazendo palestras. Prepara, em parceria, a biografia de António Telmo.