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Barrigas de Aluguer em Portugal

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Se para algumas pessoas a notícia é uma porta aberta de esperança para realização de um sonho impossível, para outros é uma janela meio aberta para um mundo pouco claro e confuso.

Sei avaliar a frustração de quem desejaria ser mãe ou pai e se vê impedido por razões alheias à sua vontade. Muitos canalizam esse sentimento maternal para familiares, amigos ou, até mesmo, para animais.

É compreensível que seja muito mais gratificante para um casal ter um filho com os seus cromossomas do que adotar uma criança que nada em comum tenha com ele.

É compreensível que alguém que, por razões diversas não tenha casado, possua o mesmo desejo de ter um filho.

A forma de cada um resolver o seu problema é que me parece cada vez mais dúbia. Criam-se leis baseadas em utopias que não serão o caminho para que todos tenham as mesmas oportunidades.

“Canto a minha terra, a minha gente ! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Alguém acredita que em Portugal haverá mulheres disponíveis para oferecerem o seu corpo como se fossem galinhas, apenas para ajudarem alguém a ser feliz e colaborar no aumento da natalidade?

Isso poderá acontecer em famílias com fortes laços de solidariedade e, mesmo assim, poderão contar-se as mulheres que estarão dispostas a gerar uma criança só por amor.

Uma gravidez implica riscos, sofrimento, cuidados de alimentação, hábitos saudáveis, tranquilidade e bem estar, ambiente de paz e harmonia. É do conhecimento geral que o bebé em gestação sente o meio afetivo que o rodeia e que isso se repercute no seu psíquico.

Não sou especialista em nenhuma das áreas envolventes mas sei o que é gerar uma criança dentro dos padrões normais de vida.

Ao ouvir as notícias sobre este assunto fico com a sensação de que a «barriga de aluguer» é um elemento sem grande valor a quem querem apenas dar apoio médico e o resto ignora-se.

Todos sabemos o que se passa no estrangeiro com este sistema que é procurado por quem pode pagar mas, nos contratos que fazem, a mulher usada como gestante, tem, em muitos países, os seus direitos assegurados e algumas regalias, embora eu as considere, em alguns casos, escassas.

Quando já se ouve dizer que Portugal será a «barriga de aluguer» da Europa e que os estrangeiros podem, inclusivamente, trazer consigo a dita «barriga», fico perplexa.

Não acredito que aqui venham com outro intuito que não seja tornar a questão mais económica.

Porque acho e tenho o direito de assim pensar, que ninguém, por mais generoso que seja, se oferece para carregar uma vida que não lhe vai pertencer, sem ter uma recompensa, creio que isto vai acarretar muitas injustiças e os contratos serão feitos às escuras, ficando naturalmente, a beneficiar quem tem poder económico.

Em meu entender, só haveria igualdade de oportunidades se o Estado oferecesse à mulher gestante algumas regalias que a compensassem da sua disponibilidade. E esse campo tem uma amplitude enorme, desde benefícios fiscais, apoio a filhos que a mesma tenha, etc.

Aguardemos e vamos esperando os resultados. Numa sociedade democrática como a nossa deseja ser, todos os casos deverão ser analisados cuidadosamente para ninguém se sentir cidadão de terceira classe.

A todos um bom agosto!

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