©ilustração de Rui Barros
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Opinião de Graça AmiguinhoPor norma, não sou pessimista.

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Acredito que a vontade move montanhas!

Porém, neste momento, tudo me diz que as vontades estão enfraquecidas, que as mentes estão entorpecidas com tantas notícias, umas verdadeiras, outras falsas.

Quem nos governa está jogando com um pau de dois bicos, querendo agradar a gregos e troianos, quero dizer, à esquerda e à direita.

É certo que, mais ou menos, em todo o mundo, as preocupações com a pandemia voltaram a crescer e de uma forma alarmante.

Esta calamidade e preocupação com a possibilidade de os hospitais não conseguirem dar uma resposta positiva a todos os que a eles têm que recorrer, não se passa apenas, no nosso País, nem em países pobres.

Países onde o nível económico é muito superior, em relação ao nosso, sentem, igualmente, esta ansiedade e incerteza quanto ao futuro e questionam quais as medidas mais adequadas a tomar.

É normal que cada um de nós tenha uma opinião sobre a forma como tudo poderia ser feito, e não é, e que também se critiquem as resoluções tomadas por quem dirige os destinos do nosso país.

Porém, como já referi, as opiniões dos portugueses dividem-se.

Se há pais que querem as escolas abertas para estarem tranquilos no seu trabalho e saberem que alguém é responsável pelos seus filhos, outros entendem que, neste momento, os alunos deveriam ficar em casa para evitarem possíveis contágios de Covid-19.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Há forças políticas completamente contra o fecho das escolas, alegando que há muitos alunos sem condições para fazerem o ensino à distância, o que prejudicaria grandemente o processo de aprendizagem, sobretudo dos mais desprotegidos socialmente.

A par das forças políticas, muitos psicólogos alegam que estando os alunos em casa, muitos estão sujeitos a maus tratos e tendências neuro depressivas.

De opinião diferente são os pais de alunos que já contraíram a doença contagiosa e a levaram para casa ou vice-versa.

O inverno tem sido muito rigoroso. Os portugueses não têm habitações preparadas para tão baixas temperaturas. Muitos, nem roupas suficientes para travarem o frio, terão.

Sabemos que as salas de aula têm que estar arejadas, de portas e janelas abertas, por causa do vírus, com um tempo destes, tão frio. Como pode haver um ensino condigno, debaixo de frio e com o corpo enregelado, pois muitas salas não têm aquecimento?

Seria porventura, tão grave, pararem as aulas durante um mês e deixar passar este pico da pandemia? Muitas escolas vão encerrando à medida que surgem cadeias de transmissão do vírus. Estamos à espera que se alastrem por todo o lado?

Tudo isto gera confusão e instabilidade emocional e social.

A acrescentar ao problema com os estudantes, temos a situação calamitosa dos Lares de terceira idade, onde já muitas vidas foram ceifadas e nesta altura de eleições, são “presas” apetecíveis para a contagem de votos.

Tentam encontrar soluções aberrantes para que esses eleitores tenham “direito ao voto”.

Não sei qual a resolução final dessa situação, mas seja qual for, será sempre uma contradição, comparando-a com as restrições impostas para salvar os idosos do maldito vírus.

Que condições têm as pessoas que têm vivido, praticamente, desde março passado, dentro dos Lares, para virem à rua, agora, com temperaturas tão baixas, para votar?

Como é possível, entrarem nos Lares pessoas estranhas para que os utentes possam dar-lhes o seu voto, quando as próprias famílias têm sido aconselhadas a não o fazerem, sofrendo todos, a dor da saudade?

Tudo isto nos faz sentir que andamos num barco, à deriva, sem sabermos para onde nos querem arrastar.

E o pior ainda é a falta de consciência da responsabilidade coletiva, daqueles que não cumprem as regras ditadas superiormente, aligeirando os seus comportamentos, como se o vírus nunca lhes entrasse no nariz ou na boca.

Afinal, se nos afundarmos, quem nos vingará?

Temos as Presidenciais à porta. Quem escolher? Qual o candidato que melhor nos pode defender, neste mar tão revoltoso?

Todos nos prometem o céu, mas as dúvidas são grandes, pois o inferno pode ser o nosso destino.

Vivemos em Democracia, o voto foi uma conquista de Abril.

Que cada um de nós o saiba usar, pensando no bem de Portugal.