Campo Maior
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Opinião de Graça AmiguinhoVamos continuar o percurso iniciado há uma semanas, por terras do nosso Alentejo, na Raia com Espanha.

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Para trás deixámos Arronches e seguimos na estrada paralela à fronteira, como se tivesse sido planeada com fins estratégicos.

Deixamos de alcançar a serra de S. Mamede e entramos na profundidade da planície alentejana. Alguns cabeços cortam-nos o horizonte mas, a pouco e pouco, sentimos a imensidão do sul de Portugal.

Já avistamos Campo Maior, lá ao longe, distinguindo-se pelos seus símbolos de Deus e Rei.

A igreja, branca e seiscentista, contrapõe-se à massa de pedra do castelo, vertical e com ameias.

Mais perto, quando já sentimos como é agradável e bonita, a vila, observamos que o castelo medieval é rodeado por muralhas mais recentes, inclinadas e a formar quilhas. É uma fortaleza típica da revolução arquitectónico – militar, inventada por Vauban, nos princípios do século XIX.

Foi traçada por Nicolas Langres e encomendada por D. João IV, em 1735.

Foram oportunas as obras mandadas fazer pelo rei, porque o castelo anterior, quase tinha desaparecido com uma explosão numa torre de menagem, adaptada a paiol, em 1732.

O castelo é uma construção muito antiga, mandada fazer por D. Dinis em 1310, após a vila ter ficado em nosso poder desde o Tratado de Alcanises, em 1297.

Também no reinado de D. Manuel I, levou grandes obras, testemunhadas pela janela renascentista que ainda resiste.

A fortificação de Langres, baixa e forte, como convinha em época de artilharia, não nasceu a tempo de assistir ao cerco que os espanhóis fizeram a Campo Maior, em 1712.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Como compensação, estas muralhas suportaram com dignidade, dois cercos franceses, em 1801 e 1811.

No primeiro aguentaram 18 dias e a cidade rendeu-se por falta de alimentos; no segundo, atacada por 4000 soldados de Napoleão, foram salvas pelo general Beresford, ao fim de 11 dias. O comandante português José Joaquim Talaia foi promovido e o general inglês tornou-se marquês de Campo Maior.

Hoje, em Campo Maior, já não cheira a pólvora mas a café, torrado fresco. Uma situação inédita pois a cidade não é porto nem se cultivam pés de café nas redondezas. Tudo se deve à inteligência de um dos seus mais gloriosos filhos, o senhor Comendador Rui Nabeiro, que tem dado trabalho à população de Campo Maior e arredores, promovendo o progresso da região e dinamizando a economia nacional.

Campo Maior possui a maior torrefacção da Península. O seu café é apreciado em todo o mundo!

Vamos agora visitar a Igreja Matriz, começada em 1570 e terminada em 1646.

Sofreu cercos, bombardeamentos e terramotos, chegando aos nossos dias, bastante restaurada, repleta de mármores da região. Entre muitas pinturas, há uma dedicada a Nossa Senhora da Expectação, que foi um culto em voga na Idade Média.

A Igreja de São Sebastião foi encomendada por D. João V, depois do desastre do paiol. É considerada um dos melhores exemplares do estilo setecentista do Alentejo.

O seu interior é uma verdadeira jóia de mármore creme e azul, ricamente trabalhado. Havia nela peças de grande valor, que, infelizmente, os franceses levaram como recordação do seu “passeio” peninsular, durante as invasões.

O edifício da Câmara Municipal é da mesma época. Mais antigo, do século XVII, é o pelourinho, encimado por uma figura da justiça com espada e balança.

Mas Campo Maior é muito mais do que os seus monumentos. A sua gente tem uma alma alegre e empreendedora. Gosta de festas, esse gosto está-lhe escrito no temperamento.

Quem não conhece as “Festas do Povo” de Campo Maior?

Este ano não haverá festas porque a pandemia estragou os planos a todo o mundo. Mas, no próximo ano, os vizinhos de cada rua voltarão a organizar-se para concorrer, com os das outras ruas e praças.

Todos têm um trabalho a realizar. Os homens constroem estruturas de madeira, enquanto as mulheres recortam papel colorido e fazem as mais lindas flores artificiais.

As ruas animam-se como que por encanto, com decorações preparadas em segredo. São arcos e voltas repletos de flores, grinaldas, vasos e fitas, a formar verdadeiros caramanchões multi-colores, onde a beleza e a imaginação se renovam todos os anos, em novas imagens.

Rebentam foguetes, abrem-se tonéis, despontam os bailaricos, cantam-se as “saias”, tocam-se as pandeiretas e as castanholas com arte e elegância! Gente de todo o Alentejo, de Espanha e de todo o Portugal, vem apreciar as decorações e participar na grande folia.

Mas a população de Campo Maior não se fica por estas festas!

Desde torneios medievais, terminados com jantaradas onde se refazem as receitas ancestrais para assar porcos e carneiros e se saboreiam os doces conventuais, à Feira anual, à Romaria de S. Joãozinho, à Romaria da Páscoa à Senhora da Enxara, em Ouguela, podemos dizer que Campo Maior está sempre em festa!