Paula Freire, opinião
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Há dias que nos sabem a pouco.

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Aqueles dias que nos descobrem com mil sorrisos no olhar e uma canção no coração. Porque a vida é um fado. Nem sempre triste, nem sempre nostálgico. Mas nas letras com que se celebra, nele canta sempre a saudade. Será, pois, com a saudade escrita por dentro, que recordarei um destes dias que me soube a pouco.

Afinal, não é sempre que celebramos o acontecer da arte e o nascer das palavras em nós, com a media luz fadista que convida ao silêncio da sala, enquanto escuta as emoções a embalar-nos por dentro. Portugal e Espanha, unidos em sentires tão nossos, sobre ‘alfombras que no hacen ruído y mesa puesta de amor’.

Há, sim, dias que nos sabem a pouco. São esses dias em que o sol nos nasce por dentro quando nos descobrimos em rostos desconhecidos que sabemos transportarem em si a mesma alma que a nossa. Pessoas que, como nós, choram e sentem as dores de existir. Mas também cantam e amam… E quando os olhares se trocam, “um pedacinho do que eu sou, eu sei… Tu também és!”.

E se existe quem diga que pobre é aquele que muito se contenta com o que de tão pouco lhe é dado viver, diria eu, ousando contrariar a beleza inegável das palavras de Florbela Espanca, que nem sempre é preciso ser maior do que os homens para ter cá dentro um astro que flameja e asas de condor. Porque há dias em que nos basta sermos apenas Nós e, em nós, as palavras e a arte se soltarem numa sede de infinito.

Há dias que nos sabem a pouco para, num curto espaço que o tempo nos oferece, festejarmos esse Ser(mos), mas também celebrarmos o Ter(mos). O ter ao nosso lado quem connosco partilhe os momentos que nos fazem história. Ter junto do peito quem connosco cante estórias em forma de poema. Ter tão próximo quem nos dê a música certa que o coração precisa para bater mais forte. Termos esse tão imenso privilégio de poder multiplicar abraços em olhares, no momento em que se erguem as taças num brinde aos dias felizes.

Há dias que nos sabem a pouco. Foi assim o dia 4 de Setembro, num cantinho da Cidade Invicta onde juntos, festejamos a arte de celebrar as palavras, a imagem, a voz… e a vida!

Porque acredito: os instantes que valem a pena… às vezes, é preciso dizê-los cantando a toda a gente!

Somos Diferentes
Paula Freire, Graça Amiguinho

Pl’o lançamento da coletânea luso-espanhola Literatura e Artes, ‘Cultura sem Fronteiras, editada por Imagem e Publicações e trabalho discográfico da autora Graça Foles Amiguinho, Estúdio Quarta Vaga/2021.

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Natural de Lourenço Marques, Moçambique, reside actualmente em Vila Nova de Gaia. Com formação académica em Psicologia e especialização em Psicoterapia, dedicou vários anos do seu percurso profissional à formação de adultos, nas áreas das Relações Humanas e do Autoconhecimento, bem como à prática de clínica privada. Filha de gentes e terras alentejanas por parte materna, desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita, onde se descobre nas vivências sugeridas pelos olhares daqueles com quem se cruza nos caminhos da vida, e onde se arrisca a descobrir mistérios escondidos e silenciosas confissões. Um manancial de emoções e sentimentos tão humanos, que lhe foram permitindo colaborar em meios de comunicação da imprensa local com publicações de textos, crónicas e poesias. O desenho foi sempre outra das suas paixões, sendo autora de imagens de capa de obras poéticas lançadas pela Editora Imagem e Publicações em 2021. Nos últimos anos, descobriu-se também no seu ‘amor’ pela arte da fotografia onde aprecia retratar, em particular, a beleza feminina e a dimensão artística dos elementos da natureza.