Início Opinião Nuno Pires Centro Unesco para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial

Centro Unesco para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial

COMPARTILHE
   Publicidade   

Das minhas memórias de infância trago um anúncio publicitário, já não me recordo do produto em causa, cujo chavão dizia: “Sobral de Monte Agraço já tem parque infantil”.

Hoje recordei-me dele e apetece-me dizer: “Beja já tem Centro Unesco para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial”.

Foi no principio de julho que, no emblemático edifício do Clube Bejense, nasceu este equipamento que tem como objetivo “promover, estudar e divulgar a música tradicional, o cante alentejano, a literatura e a história popular.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

O espaço pretende ser multifacetado e albergar ateliês para que as crianças aprendam os ofícios de antigamente, salas de exposições e aquilo que denominaram uma “casa criativa”.

Um conjunto de entidades juntou-se para criar este centro e já o povo diz: “a união faz a força”. Começando pela Câmara Municipal de Beja, passando pela Comissão Nacional da UNESCO, a Fundação AgaKhan, o Sindicato dos Músicos e Profissionais do Espetáculo e do Audiovisual, a MODA – Associação do Cante Alentejano e a Confraria Gastronómica do Alentejo, todos quiseram contribuir para dinamizar e divulgar a cultura endógena da capital daquela região mais a sul.

E nós por cá?

Temos artesanato, produtos locais, temos um Cancioneiro de fazer inveja a muitas outras cidades, temos danças, cantares, festas tradicionais, atos religiosos, usos e costumes. Património imaterial não nos falta, numa cidade que se orgulha de ser materialmente mundial.

À data da classificação, recordo-me que foi feita uma inventariação de tradições, produtos regionais e alguns saberes cujos vídeos estão disponíveis no canal youtube. É um bom início, mas não chega.

Se queremos que a nossa identidade seja perpetuada para as gerações vindouras há que apostar nisso. Veja-se o exemplo de Beja onde os mais pequenos são convidados a aprender os ofícios de outrora. Já que hoje estou numa de citações: “de pequenino é que se torce o pepino”.

Edifícios disponíveis não faltam no centro histórico de Elvas, pessoas empenhadas e disponíveis, alheias a tricas politicas e outros entreténs, também as há, falta o quê?

Como sempre, ou quase sempre, falta a vontade, falta a iniciativa.

Resta-me deixar o tema à consideração de quem o quiser considerar. É de ideias que necessitamos, de projetos, que não representando grandes investimentos, podem valorizar-nos e diferenciar-nos na preservação do que é nosso.

“Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso.”

Palavras leva-as o vento.

   Publicidade   
   Publicidade   
   Publicidade   
Artigo anteriorLeonor Rodrigues foi eleita Miss Elvas Plus Size
Próximo artigoCandidatura das Fortalezas Abaluartadas da Raia, a Património Mundial, contam com o apoio de Marcelo Rebelo de Sousa
Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.