Alentejo
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Opinião de Graça AmiguinhoSempre conheci, a terra onde nasci, como um verdadeiro baluarte da Democracia, durante estes 46 anos, em que a consciência foi despertada do longo sono inquieto de uma Ditadura que deixou as suas marcas, na vida de um povo.

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Dentro dos princípios Democráticos, mais à esquerda, ou mais ao centro, as opções foram sempre feitas com respeito e tranquilidade.

Todos sabemos que atravessamos tempos pouco favoráveis e hoje, mais do que nunca, agravados por uma pandemia que põe em causa não só a saúde física, como a mental e económica.

Porém, nada disso justifica uma mudança tão radical de opinião.

A minha geração sabe bem o que foram os anos do fascismo!

As dificuldades que enfrentámos!

. a vida dura dos nossos antepassados, nos campos, trabalhando de sol a sol

. a miséria, a fome, os baixos ordenados

. a falta de condições nas nossas habitações

. a exploração de que muitos trabalhadores do campo eram vítimas, sem direito a descanso

. a falta de proteção da velhice. Não havia reformas

. a falta proteção à infância

. a falta de liberdade de expressão e associação

. o impedimento de anulação do casamento

. o direito ao voto não era para todos e as mulheres eram impedidas de o ter

. a impossibilidade de aprendizagem, por falta de meios económicos

. o analfabetismo predominante

. o sofrimento dos nossos soldados, em combate no Ultramar

.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

a emigração para o estrangeiro, sem conhecimento de outra língua, para além da portuguesa

. a perseguição feita pela polícia política, em qualquer lugar

. a fuga para o estrangeiro dos perseguidos pelo regime de Salazar

. a prisão em condições desumanas, dos que não concordavam com o sistema

Um cem número de situações que tornavam a vida do povo, uma escravatura.

Os meus filhos e todos os nascidos depois do 25 de abril, nada sabem do que foram esses tempos, em que só por milagre, não se morria à fome.

Passeios e férias, eram coisas só para ricos. Os pobres desconheciam esses prazeres.

Após a revolução dos cravos, que hoje muitos estão a espezinhar, iludidos com falsos profetas, que esperam a melhor ocasião para deitarem as garras de foram e sugarem, de novo, o sangue aos trabalhadores, como vampiros, a vida do povo português teve mudanças muito significativas, em termos sociais, culturais e económicos.

Muitas regalias foram conquistadas e, como é normal, tornaram-se direitos fundamentais, dos quais todos podem usufruir e vão esquecendo, que nem sempre existiram:

. Serviço Nacional de Saúde

. escolaridade obrigatória e gratuita

. as reformas na velhice

. subsídio de nascimento

. subsídio de morte

. os abonos de família

. os subsídios a deficientes

. os apoios sociais a estudantes mais carenciados

. os subsídios de desemprego

. subsídios de reinserção social

. subsídios de férias e de natal

. habitação para famílias mais carenciadas

Após os últimos acontecimentos, ocorridos nas eleições do passado domingo, em que a minha gente embarcou numa aventura, que nos poderá trazer, a médio prazo, grandes dissabores, porque, manifestamente, sem muitos disso se aperceberem, estão a contribuir para a ressurreição do fascismo, com tudo o que de mau, ele contém.

Todos os que sabem o que isso representa, estão angustiados, tristes, direi mesmo, pasmados e preocupados, com a escolha feita por tantos alentejanos.

Errar é humano, cair num logro, qualquer um pode cair.

Desejo que ninguém fique cego e se deixe seduzir com falsas promessas, com palavras enganadoras, com ídolos de barro.

Quero viver em liberdade, respeitando a liberdade de todos, em Democracia.

Fascismo, nunca mais!