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Cidadania ativa entre Campo Maior e Elvas

Cansados de esperar por soluções que não chegam, os cidadãos tomaram as rédeas e elevaram as vozes para dizer o que lhes vai na alma.

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©Nuno Franco Pires
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O grito soltou-se.

Cansados de esperar por soluções que não chegam, os cidadãos tomaram as rédeas e elevaram as vozes para dizer o que lhes vai na alma.

De forma ordeira, organizada e fruto de um trabalho de equipa de pessoas informadas, esclarecidas, conscientes dos seus direitos, mas também dos seus deveres, num exemplo de cidadania ativa pouco vulgar por estas paragens, realizou-se ao final da tarde uma marcha lenta que uniu Campo Maior a Elvas, procurando sensibilizar as autoridades para a urgência da requalificação daquelas vias.

Estreitas, sem bermas de segurança, com curvas perigosas, escorregadias, ambas as vias registam um elevado índice de sinistralidade que preocupa quem, como eu, tem de as percorrer diariamente.

É raro o mês em que ligeiros ou pesados não sofrem algum percalço que poderia ser evitado se as estradas apresentassem condições mais favoráveis. Somam-se sustos, peripécias que põem em risco as vidas dos utilizadores e nos fazem pensar duas vezes cada vez que nos sentamos ao volante e iniciamos viagem.

Sendo a indústria campomaiorense uma importante entidade empregadora dos elvenses e sendo aquela via a principal saída da vila, não é de estranhar que diariamente circulem, em ambos os sentidos, milhares de viaturas, entre ligeiros e pesados. Em hora de ponta o trânsito é intenso, dificultando a circulação.

Há muito que os traçados se encontram obsoletos e necessitam de requalificação para corresponder as atuais necessidades. Na impossibilidade dos pesados circularem no troço Arronches – Elvas, atendendo ao viaduto da linha férrea existente em Santa Eulália, o trânsito de pesados da faixa interior do país tem vindo a desaguar nestas vias, adensando o já complexo problema.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

As autoridades tem de tomar consciência desta realidade. Urge que se faça algo e se melhorem as condições de circulação de milhares de elvenses e campomaiorenses.

A concretizarem-se as anunciadas plataformas logísticas que surgirão em consequência da passagem do comboio de mercadorias proveniente do porto de Sines, a situação tende a agravar-se.

Há que agir.

Saúdo os mobilizadores, os que desde a primeira hora se envolveram ativamente, despendendo tempo e esforço pessoais em nome de uma causa em que acreditam.

Saúdo as dezenas de elvenses e campomaiorenses que hoje incorporaram a marcha lenta, reforçando a pertinência do manifesto, dando um exemplo inequívoco de democracia e cidadania.

Saúdo ambas as autarquias que se mostraram disponíveis para estar ao lado dos cidadãos que representam.

Saúdo as forças políticas que, mesmo longe das campanhas eleitorais, quiseram estar ao nosso lado dando mostras que são alternativas válidas.

Saúdo a comunicação social local e nacional pela cobertura dada a esta marcha e pela visibilidade proporcionada.

A luta não acaba aqui, apenas começou. Próximas ações se seguirão na busca de respostas e soluções que honrem as vidas perdidas naquelas poucas dezenas de quilómetros e evitem que outras tantas tenham semelhante destino.

Por mais segurança. Pela vida. Por mim. Por todos.

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Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.