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Coaching: O Medo

Os medos acordam o nosso pior lado.

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O medo motiva a nossa irracionalidade, acorda a nossa preguiça, complica a nossa realidade e prolonga até ao infinito, a nossa estupidez. Dizem que a estupidez humana é infinita.

Deitamo-nos cheios de energia para enfrentar o dia seguinte e acordamos cheios de planos e vontade de fazer bem, de cumprir e de ser.

Consegues fazer o que te propões todos os dias? Quando nos mandam fazer, e/ou as “chefias” nos impõem um ritmo e uma rotina, apenas devemos aprender a dizer que estamos com a agenda muito cheia e que não conseguimos fazer tudo o que nos pedem. Aprendemos desde muito cedo a evitar o sofrimento, buscamos alianças nos colegas que passam pelo mesmo e nos amigos que também têm dias de trabalho indesejáveis.

É mesmo assim? Não tenho mesmo tempo para mais nada? O que é que é verdadeiramente importante para mim?

Cristina Leal Azinhal
Cristina Azinhal, Socióloga, especialista em gestão de talento

Tenho medo de saber o que verdadeiramente me importa. Porque se eu parar para pensar e descobrir que o que é verdadeiramente importante é que o meu colega/chefe reconheça e valorize o meu esforço, a minha energia, a minha entrega, a minha pontualidade, a minha integridade e lealdade, a minha contribuição para o bom ambiente de trabalho e até a minha vontade de aprender coisas novas e depois chego ao final do dia e, nada disto aconteceu. O que acontece é que eu, mais um dia, fui apelidada de não me esforçar, de não fazer bem as coisas, e de não ter consigo algo quando consegui tudo o resto. Este somatório de fracassos impostos por alguém que hierarquicamente superior manipula o nosso estado emocional é da minha responsabilidade, sim é da tua responsabilidade, também. Nós é que nos permitimos sentir assim, é mais fácil queixarmo-nos e assim temos um verdadeiro motivo.

Eu acredito que o segredo da vida tranquila e feliz não está na capacidade de mudar os outros, que à nossa volta parece que acordam todos os dias, para nos estragar a vida, mas sim, na capacidade que nós desenvolvemos e podemos aprender de nos adaptarmos a essa mesma realidade mudando-nos a nós mesmos e à forma como a realidade, a nossa realidade, nos afecta. Podemos criar a nossa realidade!

Dizem, os entendidos que o nosso medo é o de não sermos reconhecidos, queridos, amados, que não confiem em nós. E quando estudei este tema, descobri muitos autores e filósofos actuais que pensam e escrevem sobre o medo, deixo duas das referências que estão disponíveis para ouvir; Mia Couto (há quem tenha medo que o medo acabe) e Eduardo Galeano (Vivir sin miedo).

Ensinaram-me que a uma das técnicas para lidar com os medos é transformar o medo em um objectivo e expressar, esse mesmo objectivo, de forma positiva. Quem já experimentou diz que funciona, eu também experimentei e vai funcionando. Creio que o verdadeiro desafio é especificar esse medo e decidir enfrentá-lo, sem medos.

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