Início Região Évora Complexo arqueológico dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, foi classificado monumento nacional

Complexo arqueológico dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz, foi classificado monumento nacional

Decreto de classificação foi publicado no Diário da República

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O complexo arqueológico dos Perdigões, em Reguengos de Monsaraz foi classificado como sítio de interesse nacional, tendo-lhe sido atribuída a designação de monumento nacional. O complexo arqueológico mereceu o parecer favorável da Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura para a sua classificação, tendo o decreto sido publicado no Diário da República de 28 de Janeiro.

O povoado dos Perdigões situa-se a cerca de um quilómetro da cidade de Reguengos de Monsaraz e é um grande complexo de recintos genericamente circulares e concêntricos, definidos por grandes fossos escavados no subsolo, ocupando uma área superior a 16 hectares. Iniciado no final do Neolítico, há cerca de 5.500 anos, prolongou-se durante toda a Idade do Cobre e chegou ao início da Idade do Bronze, há 4.000 anos, altura em que ocorreram profundas mudanças sociais e cosmológicas que levaram ao seu abandono. O local terá assumido desde o início um importante papel na gestão das identidades locais, tornando-se num sítio de encontro para práticas ritualizadas.

No decreto de classificação como monumento é referido que “quer pelas suas dimensões monumentais e bom estado de conservação, quer pela excepcionalidade dos materiais nele recolhidos, que identificam uma ocupação por um período superior a mil anos, quer ainda pela sua implantação e orientação, o complexo dos Perdigões deve ser reconhecido como um conjunto de superior relevância histórica, cultural e científica com elevado potencial de valorização”. De acordo com o documento, “o sítio inclui igualmente uma necrópole com diversos túmulos colectivos e um cromeleque do qual se conhecem pelo menos oito menires, supostamente dispostos segundo uma simbologia particular. É de destacar a singular ligação espacial e arquitectónica entre as áreas habitacionais e a necrópole, relativamente incomum nos contextos peninsular e europeu, apesar da zona de inumações estar genericamente enraizada no substrato cultural e religioso comum aos sepulcros de tipo tholos.

A área abrangida pelo sítio classificado fica sujeita a restrições a fixar por portaria do membro do Governo responsável pela área da cultura, sob proposta da Direcção-Geral do Património Cultural, em articulação com a direcção regional de cultura territorialmente competente e com o correspondente município, nos termos do nº 1 do artigo 54.º do Decreto -Lei nº 309/2009, de 23 de Outubro, na sua redacção actual, que estabelece o procedimento de classificação dos bens imóveis de interesse cultural, bem como o regime das zonas de protecção e do plano de pormenor de salvaguarda.