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Comunicação Visual de Ciência? Comunicação – Visual – de Ciência

Diz-se que é uma forma de comunicação porque partilha as características de outras formas de comunicação, onde um emissor se encarrega de elaborar e enviar uma mensagem a um receptor. Porém aqui, a mensagem cumpre requisitos: o que está a ser transmitido tem uma configuração predominantemente visual e aborda assuntos científicos.

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Diz-se que é uma forma de comunicação porque partilha as características de outras formas de comunicação, onde um emissor se encarrega de elaborar e enviar uma mensagem a um recetor. Porém aqui, a mensagem cumpre requisitos: o que está a ser transmitido tem uma configuração predominantemente visual e aborda assuntos científicos.

Pode parecer específico e incomum, mas na verdade deparamo-nos com estas mensagens frequentemente. São as ilustrações nos guias de identificação de animais e plantas e nos painéis interpretativos dos parques naturais, as animações nas exposições de museus e nos documentários televisivos, os jogos educativos nas aplicações de telemóvel, as experiências interativas nos websites dos jornais.

Nota-se a diversidade das áreas científicas abordadas – biologia molecular, zoologia, geologia, astronomia, veterinária, e muitas outras – e a variedade das técnicas utilizadas – ilustração, animação, infografia, jogos. Tal como uma caixa de ferramentas de onde sai um alicate ou uma chave Phillips conforme se pretende cortar um arame ou apertar um parafuso, para comunicar ciência visualmente escolhe-se com cuidado a técnica que melhor se adequa ao que se pretende transmitir. Aliás, não só a técnica, mas também o estilo visual (detalhado ou tipo esboço? a preto e branco?), o suporte (num livro escolar? numa aplicação de telemóvel?), e os outros elementos da mensagem (com texto? com som?).

A prioridade é garantir a boa receção e interpretação da mensagem pelo recetor. Por exemplo, quando o objetivo é consciencializar para a conservação de uma espécie ameaçada, uma ilustração detalhada do animal ou planta no contexto dos fatores que a prejudicam, é simultaneamente informativa e sensibilizadora. Se a intenção é apresentar dados científicos que explicam as alterações climáticas de uma forma acessível ao grande público, uma infografia com a visualização dos dados e representações geográficas inserida num jornal nacional pode ser o mais adequado. Para explicar a crianças e adolescentes o conceito dos surtos de doenças infeciosas, pode recorrer-se a um jogo interativo online ou numa exposição de museu com representação dos agentes patogénicos, hospedeiros e vias de transmissão.

Imperam as perguntas ao comunicador visual de ciência: quem é o meu público-alvo? onde é que a informação vai ser recebida? que técnicas visuais posso usar? Para as responder, assume-se simultaneamente como um desenhador, designer, e especialista em ciências sociais e naturais. Torna-se um verdadeiro entendedor no assunto a transmitir, ainda que temporariamente. Tem liberdade para definir quase todos os aspetos do processo, exceto comprometer o rigor da informação científica.

As vantagens? São as mesmas de ir a um alfaiate em vez de a um pronto-a-vestir: tiram-se as medidas, fazem-se as provas e sai-se com uma peça de roupa que assenta na perfeição. Adotar um processo de comunicação personalizado a um determinado público e contexto, garante que o conteúdo é entregue e compreendido. Conta-se uma história visual que pode somente querer informar, mas pode também pretender sensibilizar, esclarecer conceitos, e ambicionar tomadas de atitude naqueles que a veem. Tendo em conta a importância crescente da divulgação de informação dentro da própria comunidade científica e desta para os membros da sociedade, a comunicação visual de ciência é cada vez mais um recurso a valorizar.

Diana Marques
Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva