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Estamos sendo alertados por dados estatísticos que revelam um consumo exagerado de medicação em dois setores da população, os mais sensíveis e vulneráveis: crianças e idosos.

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Surgem opiniões variadíssimas sobre as possíveis razões que a isso conduzem sem que ninguém ouse ter a coragem de pôr o dedo na ferida que, certamente, causa dor e conflitos de consciência a muitos adultos que não assumem convenientemente a sua função de pais e educadores ou de cuidadores dedicados dos seus progenitores.

É a família a principal responsável pelos comportamentos anormais de muitas crianças que, não tendo qualquer patologia mental, revelam distúrbios emocionais que afetam a sua vida escolar, tanto no aproveitamento curricular como no relacionamento com os seus companheiros e professores.

Em relação aos idosos, pessoas que, na maior parte dos casos, tudo fizeram pelos filhos, chegada a fase em que já não podem servir, sentem a sua vida como um peso na vida dos outros, caindo no desânimo e desinteresse, quando são empurrados como farrapos velhos para que sejam estranhos a cuidá-los, quebrando-se os laços de ternura criados durante muitos anos.

É muito triste fazer estas afirmações mas, infelizmente, são o retrato da sociedade em que hoje vivemos.

“Canto a minha terra, a minha gente ! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Não é meu intuito defender os médicos psiquiatras ou psicólogos que se vêem confrontados com relatos assustadores de pais que não sabem como educar os seus filhos e de filhos adultos sem paciência para aguentar a velhice de seus pais.

Também entendo que a Escola não consegue substituir a Família na sua função educativa nem colmatar as carências afetivas das crianças.

Uma criança que não tenha normas de conduta porque os seus pais, por ignorância ou inércia, não sabem como acompanhar a sua evolução, substituindo a falta de afeto e atenção por simples objetos de entretenimento, dificilmente fará uma aprendizagem normal.

A dispersão, dificuldade de concentração, não tem apenas como razão de existir a falta de condições económicas.

Há outras causas muito mais graves, em qualquer classe social, que se repercutem, de forma assustadora, na vida de uma criança.

Aparecem então os pais a dramatizar as situações que ocorrem, pintam-nas de negro e procuram o médico em busca da «pílula» milagrosa para acalmar a criança, torná-la obediente, porque cada dia que passa mais insatisfeita fica, mais exige dos pais, e, nada a faz feliz…

Como o verdadeiro problema não está na criança, na maior parte dos casos, mas nos próprios pais, quando o organismo se habitua à «droga» receitada, os sintomas voltam e aí, lá vai a reclamação junto dos médicos para que seja aumentada a dose.

É um ciclo vicioso. Raramente se resolve no tempo certo.

Os idosos não são santos nem pecadores. São pessoas que merecem atenção pois já não são o que eram e tornam-se, muitas vezes, autênticas crianças.

Os tempos modernos exigem muito das famílias e,  sabemos perfeitamente, que não teremos quem nos cuide como já cuidámos. Assiste-se a uma prática generalizada de entregar os idosos ao cuidado de estranhos e, de preferência, longe da sua residência, o que justificará a pouca assiduidade das visitas.

Os «Lares» são, para muitos utentes, lugares de solidão e tristeza. Os profissionais que aí tratam as pessoas, por muito boa vontade que tenham, nunca conseguirão ocupar o lugar da família perdida com toda a carga afetiva negativa que essa situação acarreta.

E os distúrbios avolumam-se! A ansiedade e frustração dominam o pensamento cansado do idoso. Vêm ao cimo comportamentos que podem revelar o lado menos positivo do temperamento de cada um.

Como resolver tais complicações? Medicando, medicando, pondo a mente em repouso, alheia à realidade, vegetando, tantas vezes.

Indefesos, fragilizados, sem capacidade para entender o seu próprio drama, assim vivem os últimos dias.

Como pode a sociedade resolver tão graves problemas? Perdido o amor, o que significa a vida?