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Opinião de Graça AmiguinhoPara quem, como eu, tem tido força e saúde mental, para ultrapassar todas as vicissitudes da vida, encarando os acontecimentos com a maior serenidade e não se vitimizando, talvez seja difícil dar conselhos e entender, quanto sofrem as pessoas que são vítimas de depressão, porque nunca precisei de fármacos ou de uma consulta da especialidade, para controlar os meus medos, as minhas tristezas, os meus desgostos e até algumas frustrações.

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Contudo, porque me sinto solidária com quem sofre física ou mentalmente, não fico indiferente às suas queixas, tantas vezes minimizadas, pelos parentes e amigos mais próximos, e, atualmente, agravadas, porque deixámos de fazer o que habitualmente fazíamos, ficámos distanciados de muitos familiares com quem repartíamos beijos e abraços, com quem conversávamos, olhos nos olhos.

Sobretudo, os mais idosos, com receio de possíveis contágios, têm-se sujeitado a uma clausura forçada, num isolamento, quase total, limitando-se às conversas com os familiares e amigos, através dos meios de comunicação modernos, ou das redes sociais, faltando-lhes o calor humano, que dá vida à alma e ao corpo.

Até os que não foram infetados pelo Covid-19, não ficaram imunes à depressão, à tristeza profunda que neles se instalou, ao desânimo por não verem luz, “ao fundo do túnel,” onde entraram e se sentem às escuras, pela perda da esperança de poderem voltar a ter uma vida com liberdade de movimento, como antes da pandemia, tinham. Para muitos idosos, viajar, confraternizar com amigos e familiares, ver crescer os netinhos, são assuntos de muita importância nas suas vidas.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

É urgente que essas pessoas sejam escrutinadas e acompanhadas, assim como os que ficaram com mazelas fisiológicas e perturbações do foro mental, provocadas pelo terrível vírus, apesar de não terem precisado de internamento hospitalar.

Os doentes que não foram hospitalizados, como foi o meu caso, felizmente, podem sofrer as consequências do Covid-19, e sentirem certos sintomas que, anteriormente, desconheciam.

Quem estiver nesta situação, não poderá ficar calado. Tem que procurar ajuda, junto do seu médico de família, sem complexos, porque tudo poderá ser atenuado.

A Saúde Mental, no mundo da Medicina, foi sempre considerada como a Poesia, no mundo da Literatura, o parente mais pobre, infelizmente.

Porém, as consequências de uma saúde mental debilitada, podem acarretar muita tristeza e remorsos, por não ter sido avaliada a tempo e a ajuda ter chegado já tarde.

Esta pandemia, com a necessidade de um confinamento forçado, para que os contágios do vírus sejam controlados e se evitem mais mortes, tem provocado em muitas famílias situações preocupantes.

Por constrangimento ou para não ser considerado “louco”, o doente cala o seu sofrimento, esconde os sintomas e isola-se mais no seu mundo, que o empurra para a depressão.

Quando temos uma perceção, por mais leve que seja, de que alguém, nosso amigo ou familiar, está no limite da sua força mental, temos que procurar ajudar, com as armas que temos ao nosso alcance

Nesta situação, um telefonema, uma mensagem, uma melodia, um poema de esperança ou uma história, que saibamos que poderá tocar a sensibilidade de quem está do outro lado, pode ser a gota de água no deserto das emoções, a lágrima que corre, quando o corpo se imaginava já, sem reações.

Não deixemos que ninguém se afunde no mar da desesperança.

Lancemos a rede da fraternidade, para que ninguém se sinta sozinho na sua caminhada final.

Amemos mais e deixemo-nos amar!