David e Golias

Opinião - Graça Amiguinho
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No Livro de Samuel, do Antigo Testamento, surge esta narrativa que, passados milhares de anos, parece ter algumas semelhanças, ao que estamos presenciando.

Depois de algum tempo, Jeová disse a Samuel para ir à casa de Jessé. Um dos filhos dele seria o próximo rei de Israel. Quando Samuel chegou lá, viu o filho mais velho de Jessé e pensou que ele seria o próximo rei. Mas Jeová disse-lhe:

– Não foi ele que eu escolhi. Eu não ligo à aparência das pessoas. Para mim, o importante é que tenham um bom coração.

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Então, Jessé trouxe mais seis filhos. Mas Jeová não tinha escolhido nenhum deles. Samuel perguntou a Jessé, se tinha outros filhos. Jessé respondeu:

– Eu tenho outro, chamado David, que é o mais novo. Ele está a cuidar das ovelhas.

Jessé mandou trazer David. Quando David chegou, Jeová disse a Samuel que David era o escolhido! Samuel derramou um pouco de óleo na cabeça de David, mostrando que ele seria o próximo rei de Israel.

Algum tempo depois, os filisteus vieram lutar contra os israelitas. Um dos soldados filisteus era um gigante, chamado Golias. Todos os dias, ele gozava com os israelitas e dizia:

Duvido que encontrem alguém para lutar comigo! Se conseguirem e ele ganhar, seremos vossos escravos. Mas, se eu ganhar, vocês é que vão ser nossos escravos.

Um dia, David foi levar comida aos seus irmãos que estavam no exército. Então, ele ouviu Golias a provocar os israelitas e disse que ia lutar contra  ele. Mas Saul disse que não era boa ideia, porque David era muito novo. David respondeu:

–  Jeová vai ajudar-me.

Saul quis que David usasse a sua armadura. Mas David devolveu-a, porque só o atrapalhava. Então, David pegou na sua funda, uma arma para atirar pedras, e foi até ao rio. Ali, apanhou cinco pedras e colocou-as num saco. A seguir, correu até Golias. Golias disse:

– Vem cá, rapazinho. Eu vou matar-te e dar a tua carne aos animais.

Mas David não ficou com medo. Ele respondeu:

– Tu vens lutar comigo a confiar na tua espada e na tua lança. Mas eu vou lutar, a confiar em Jeová. Achas que estás a lutar contra nós? Estás é a lutar contra Jeová. Todos aqui vão ver que Jeová é muito mais forte do que qualquer arma. Ele vai entregar-vos nas nossas mãos.David colocou uma pedra na funda e atirou-a com toda a força. Jeová fez a pedra acertar no meio da testa de Golias. Golias caiu no chão e morreu. Os filisteus fugiram com medo.”

1 Samuel 16:1-13; 17:1-54

Nos dias que vivemos e, apesar da distância que nos separa, uma guerra desproporcional em forças de armas, entrou em nossas casas, porque há jornalistas corajosos que procuram fazer a cobertura de tudo o que acontece, arriscando a própria vida.

O “Golias” de hoje ataca um povo, seu vizinho, por terra, ar e mar. Usa todas as formas que a mente humana tem sabido inventar para destruir e matar!

Quer dominar, custe o que custar! Quer avançar por toda a Europa e estrangular a Liberdade que tantos anos demorou a ser estabelecida.

Hoje, melhor que nunca, perante a invasão e a barbárie que temos presenciado na Ucrânia, somos induzidos a refletir sobre o que essa grande potência representa, e como nos pode estrangular e espezinhar a nossa história.

O poder económico tem-lhe permitido armar-se até aos dentes, como vulgarmente dizemos, e criou uma mentalidade insaciável, que o mundo ocidental é obrigado a travar com todos os meios que tiver ao seu alcance.

Fico, por vezes, perplexa, como alguém ainda pensa que se consegue dominar um gigante sem coração, só com palavras, quando ele utiliza todos os meios, ao seu alcance, incluindo os que são condenados pelos tratados internacionais, para destruir tudo e matar, indiscriminadamente.

Recuando, no tempo, agora percebo melhor o risco que corremos, em Portugal, de sermos uma colónia russa, há 48 anos, quando nos vimos livres de uma Ditadura Fascista. Felizmente, que alguém se apercebeu das intenções de alguns, a tempo.

A Catalunha, correu o mesmo risco. Hoje, sabemos que a Rússia queria colocar dez mil soldados no terreno, a apoiar os separatistas que, nas suas boas intenções, seriam esmagados pelo gigante e lhe abririam as portas para dominarem a península Ibérica.

Os tempos mudam e as estratégias são muito diferentes das usadas, na antiguidade. Porém, quem é atacado tem todo o direito de se defender e, mais ainda, pedir ajuda e solidariedade a quem ama a Liberdade e tem meios ao seu alcance para impedir o avanço despudorado dos que não respeitam a propriedade alheia, arrasando as fronteiras estabelecidas pelo Direito Internacional.

Sempre me disseram que “matar, em legítima defesa, não é pecado”.


A articulista actua como Colaboradora do Portal Elvasnews e o texto acima expressa somente o ponto de vista da autora, sendo o conteúdo de sua total responsabilidade.