Opinião - Graça Foles Amiguinho
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Luís Vaz de Camões será sempre o maior Poeta Português, de sempre, aquele que, sem limites, cantou o Amor a Portugal, os feitos dos seus filhos, as suas glórias e as suas derrotas, o viajante irreverente, o sábio, o escritor respeitado, mundialmente.

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Se vivesse nos nossos dias, quantos prémios Nobel já teria arrecadado?

Sabemos que a sua obra grandiosa e sobre a qual muitos estudiosos se têm debruçado, não lhe trouxe o fruto merecido, não lhe proporcionou, em vida, o sucesso, a fama ou o prestígio.

Tão bela é a sua obra erudita, Os Lusíadas!

Porém, muito mais, de grandioso descobrimos, sempre que lemos algum dos seus poemas, poemas intemporais, poemas de ontem, de hoje e de amanhã, tal é a frescura e delicadeza dos sentimentos neles expressos.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto
que não se muda já como soía.

À parte algumas palavras que hoje já não usamos no nosso vocabulário, este poema poderia ter sido escrito nos nossos dias, tal é a verdade que nos retrata.

Procurarei aqui deixar mais alguns poemas cantados sem fim, em qualquer tempo, porque a sua singeleza e beleza nos encantam.

Verdes são os campos

Luis Vaz de Camões, Os LusíadasVerdes são os campos,
Da cor do limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas que nela,
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis,
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Quanta simbologia nas palavras do Poeta que nos encantam e nos levam a idealizar uma paisagem campestre, recheada de amor e ternura, pois só quem muito ama vê com os “olhos do coração”.

Tanto para ler e apreciar na grandiosa obra de Camões.

Porque o tempo de ler, nem sempre é o maior de todos os tempos, em virtude da nossa atenção ter milhares de solicitações, só mais um dos seus belos poemas, um doce poema que descreve a beleza e a pureza de uma jovem.

Descalça vai para a fonte

Descalça vai para a fonte
Lianor pela verdura;
Vai fermosa e não segura.

Leva na cabeça o pote,
O testo das mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Sainho de chamelote;
Traz a vasquinha de cote,
Mais branca que a neve pura.
Vai fermosa e não segura.

Descobre a touca a garganta,
Cabelos de ouro entrançado,
Fita de cor de encarnado,
Tão linda que o mundo espanta.
Chove nela graça tanta,
Que dá graça à fermosura.
Vai fermosa e não segura.

O grande Poeta Luís Vaz de Camões morreu amargurado pela derrota portuguesa na Batalha de Alcácer-Quibir, onde desapareceu D. Sebastião, que lhe tinha mandado publicar “Os Lusíadas” em 1572 e concedido uma pequena pensão, designando-o como “Luís de Camões, o cavaleiro e fidalgo de minha Casa”.

Adoeceu e morreu, vítima de “peste” em 10 de junho de 1580, sendo enterrado em campa rasa na Igreja de Santa Ana, ou talvez, no cemitério dos pobres do hospital onde se finou.