Castelo de Elvas
Castelo de Elvas
Insere-se num conjunto de fortificações e obras anexas, consideradas Património da Humanidade desde 2012
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Opinião de Graça AmiguinhoNada melhor, para nos sentirmos vivos, do que passear, caminhar pelos campos, ou à beira de um rio, sentar no banco de um jardim, fazer uma refeição ao ar livre, ou visitar lugares com história, que tantas vezes, nos passam despercebidos, na corrida do dia-a-dia.

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Nesta altura em que vamos saindo, lenta e cuidadosamente do confinamento, que tivemos que respeitar, para nosso bem e dos outros, já poderemos sair e até fazer, o que nunca tivemos oportunidade de realizar.

Afinal, sobrevivemos a esta pandemia, quando tantos pereceram, e isso dá-nos força para procurarmos aproveitar os nossos dias da melhor forma, pois o amanhã é sempre desconhecido, nunca nos esquecendo, contudo, dos que sofrem, dos que temem o futuro incerto pela falta de trabalho, dos que se vêem privados dos bens essenciais.

Elvas é uma cidade maravilhosa e tem muito para mostrar às suas gentes, para que a possam conhecer melhor e ocupar o tempo livre de uma forma saudável, visto que as reuniões de grupos, as piscinas e passeios colectivos, ainda não são possíveis, porque devemos agir com precaução.

Há imensos lugares com história, na nossa cidade de Elvas, que eu desejo também, um dia, ter oportunidade de conhecer, já que a vida não me tem permitido, dado a distância a que me encontro, ter disponibilidade para poder parar, olhar e admirar por dentro, os encantos e segredos guardados e bem cuidados, pelos que, por eles, têm zelado com amor.

Vamos então, imaginar-nos passeando pelas ruas da nossa cidade, os que nela vivem e os que, distantes, nela gostariam de viver.

Ao entrarmos na cidade, à direita, encontramos o Forte de Santa Luzia, uma construção no cimo de um outeiro, perto das muralhas seiscentistas que rodeiam a cidade, construído em 1641, num período muito atribulado da nossa História, quando as tropas do nosso rei D. João IV  lutavam pela Restauração de Portugal, que viveu 60 longos anos, dominado pelos nossos vizinhos espanhóis, e Elvas foi palco de combate aceso e decisivo na recuperação da nossa independência.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Este Forte, ao qual foi dado o nome de Santa Luzia, talvez, porque o povo, na sua fé, pedia protecção a Santa Luzia,  por sentir a necessidade de ter sempre um olhar atento sobre o inimigo que espreitava, é considerado um exemplo na arte de construir fortalezas na Europa, uma verdadeira obra-prima da arquitectura militar de Elvas, do séc. XVII.

Esta linda fortaleza é formada por quatro “Baluartes”, um termo com origem na língua francesa, obra feita para defender as pessoas, uma estrutura pesada e forte, sustentada por muralhas.

A primeira obra de baluarte surgiu em Itália, no séc. XV, tornando-se mais conhecida na segunda metade do séc. XVII com o Marquês de Vauban, na França.

Dentro dos baluartes há um reduto quadrangular onde se encontra a “Casa do Governador”, a Igreja e uma casa encimada por uma abóbada, à prova de bala.

Tem várias “Casernas”, construções destinadas ao alojamento de soldados, ou seja, o “Quartel”, e duas “Cisternas”, depósitos ou reservatórios para captar, armazenar e conservar água, que dava de beber a trezentos ou quatrocentos homens, durante dois a três meses.

Como atrás referi, o Forte de Santa Luzia viu-se envolvido em diversas contendas com os vizinhos espanhóis, passando por um cerco levado a cabo pelo marquês de Torrecusa, em 1644, que comandava um exército espanhol, tendo atravessado o Guadiana com 12000 homens de infantaria, 2600 de cavalaria, 20 peças de artilharia e 2 morteiros, em direcção a Campo Maior.

No seu percurso, dirigiu-se a Olivença, tendo desistido de atacar essa praça, por a considerar de pouco interesse estratégico.

Continuaram a sua caminhada até Elvas, cercando a cidade. O Forte de Santa Luzia, resiste ao cerco, comandando as nossas tropas, o Marquês de Alegrete e obrigando as tropas espanholas a desistir e a retirar-se, passados oito dias.

Quando ocorreu a Batalha das Linhas de Elvas, em 1659, e no cerco que sofreu antes, o Forte de Santa Luzia foi decisivo na vitória alcançada, graças à disciplina e bravura heróica dos seus homens.

É neste espaço, onde cada pedra é um sinal vivo da nossa história e da heroicidade e sofrimento da nossa gente, que, em 1999 e 2000, se fizeram obras, ficando preparado com dignidade, para nele ser instalado o Museu Militar, do qual Elvas se orgulha, como salvaguarda da sua história, do seu passado glorioso.

Faça uma boa visita, caro leitor. Elvas merece o seu reconhecimento e a sua preferência.