Início Opinião Graça Amiguinho E se fosses tu?

E se fosses tu?

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Vivemos em sociedade e não podemos ficar indiferentes aos outros e aos seus problemas.

Não seria aceitável que eu rejeitasse alguém só porque não me identifico com as suas opções sejam elas de que cariz forem.

Mesmo longe dos problemas, tomamos deles conhecimento e, naturalmente, temos o direito de dar a nossa opinião que nos acarreta responsabilidades e às vezes, até, algumas inimizades.

Contudo, não podemos meter-nos na nossa concha, fechar os olhos, tapar os ouvidos e viver apenas a nossa vida.

Os problemas dos outros podiam ser nossos e muito sofreríamos se nos sentíssemos sós e desprezados sem que alguém tivesse uma palavra de conforto para nos animar e ajudar a encontrar uma solução.

Embora seja um problema do foro íntimo, a sexualidade tem tomado lugar na discussão pública e tem sido motivo de debate nos órgãos de soberania em muitos países, entre eles, Portugal.

É um problema tão velho como o mundo, alguém nascer com um determinado sexo e não se identificar com ele. Não é uma ilusão, é uma realidade provada cientificamente.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Ao longo dos tempos, essas pessoas têm sido motivo de escárnio e segregação mas, desde meados do século passado, têm travado uma luta pacífica que, contudo, não tem fim à vista.

No nosso país alguns passos foram dados para reconhecimento e legalização dessa realidade que para muitos é degradante porque a desconhecem, não a vivenciam nas suas famílias ou então fecham-se num mundo de hipocrisia e fazem de conta que não se passa nada.

As famílias que são confrontadas com situações que muitas vezes se tornam dramáticas, merecem ser ajudadas a lidar com elas e a descortinar uma possível solução.

Conheço muitos casos de jovens completamente desorientados com os seus instintos pelo facto de não se reverem no corpo com que nasceram.

Os contrastes não surgem do dia para a noite. Vão surgindo desde a infância, agravam-se na adolescência e tornam-se verdadeiramente problemáticos quando estes tomam consciência de que o seu corpo não se identifica com a sua mente.

Se as famílias fossem aconselhadas, atempadamente, pelos médicos de família e em conjunto tentassem encontrar um equilíbrio baseado nos conhecimentos científicos sobre a função das hormonas no nosso corpo, creio que muitos dos distúrbios seriam sanados e o problema resolvido.

Apesar de eu não ser especialista na matéria, tenho conhecimento de que, se uma criança com essa perturbação de identidade for tratada antes da puberdade, poderá ter comportamentos absolutamente normais em relação à sua vida sexual e às suas escolhas de pessoas do sexo oposto para um futuro relacionamento.

O mais complexo deste percurso é a abordagem do tema que ainda é «tabu» para a sociedade em geral.

Quem tem uma criança com inclinações fora do comum no que se refere a brincadeiras, escolha de roupas e, mais tarde, quando surgem os sintomas de puberdade, se estes não se manifestarem de forma normal, deve falar com o seu médico, abertamente, e expôr o problema

Na maior parte dos casos, como já referi, as famílias evitam tocar no assunto e são os próprios filhos a manifestarem o desconforto e a perturbação interior que os atormenta porque na escola são razão de riso e falatório que neles deixa marcas para toda a vida.

Nessa altura, para um tratamento hormonal, já passou a idade. Nada há a fazer. Resta assumir a natureza e aceitá-la com a maior dignidade possível.

Aqui não se trata de uma questão de moral mas sim, humana. Todos sabemos que, em muitos casos de homossexualidade, antigamente, essas pessoas tentavam abrigar-se nas forças armadas ou nos seminários para se sentirem mais protegidas, talvez.

As mulheres calavam esses seus problemas e morriam com eles sem nunca terem desabafado com ninguém.

Essas pessoas

  • merecem que lhes seja reconhecido o direito de mudar de nome e de sexo no registo civil;
  • merecem ser apoiadas em intervenção cirúrgica para mudança de sexo;
  • merecem o respeito de toda a sociedade sem qualquer diferenciação no mundo do trabalho, na política ou na religião, pois são cidadãos e cidadãs válidos e interessados no progresso do seu país.

Não têm culpa de ter assim nascido.

É um problema como qualquer outro.

Devemos olhar para essas pessoas com respeito e sem as discriminarmos.

Muito mal irá uma sociedade democrática que tem a obrigação de respeitar os valores que a regem e maltratar os seus filhos mais fragilizados, sejam quais forem os distúrbios de que sofrem

E se fosses tu?

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