E se o (teu) amor falasse?

E-se-o-(teu)-amor-falasse
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E se o (teu) amor falasse, o que te diria?

Que dias felizes não ficam suspensos nas sombras do sol.

Que o caminho ao lado de alguém não é um deserto sem cor.

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Que quando corres para um abraço não recebes a força impune de um braço.

Que a dor e o grito são desespero e não o alimento de cada dia.

Que a vida não se faz de um mundo de ausências dentro da alma.

Que não podes adormecer debaixo das pancadas que entendes como beijos.

Que ficar nua não é permitir que um outro te desfaça a carne e a essência.

Que as emoções mais íntimas não são feitas de sangue.

Que sobre o teu corpo não devem morar somente pele e sonhos desfeitos.

Que permitires que te comam o espírito e o corpo não saciará a fome desse Ninguém.

Que ser humana não é um nada que te anula.

Que noites brancas não são sinónimo de noites sem luz.

Que a morte talvez possa apanhar-te enquanto dormes.

Que estas pedras onde te deitas não vão transformar-se, como por magia, em flores.

Que os desejos dentro do teu peito não devem ser apenas saudade.

Que não podes viver de janelas trancadas com vergonha de quem melhor te merece.

Que instantes bonitos não são porta de entrada para desceres ao abismo.

Que não podes ficar rendida ao que nunca tiveste.

Que dentro de ti existe uma obra que almeja ir ainda além.

Se o amor falasse, dir-te-ia…

Que o primeiro amor que casa contigo é o que nasce do teu próprio coração.


A articulista actua como Colaboradora do Portal Elvasnews e o texto acima expressa somente o ponto de vista da autora, sendo o conteúdo de sua total responsabilidade.

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Paula Freire
Natural de Lourenço Marques, Moçambique, reside actualmente em Vila Nova de Gaia. Com formação académica em Psicologia e especialização em Psicoterapia, dedicou vários anos do seu percurso profissional à formação de adultos, nas áreas das Relações Humanas e do Autoconhecimento, bem como à prática de clínica privada. Filha de gentes e terras alentejanas por parte materna, desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita, onde se descobre nas vivências sugeridas pelos olhares daqueles com quem se cruza nos caminhos da vida, e onde se arrisca a descobrir mistérios escondidos e silenciosas confissões. Um manancial de emoções e sentimentos tão humanos, que lhe foram permitindo colaborar em meios de comunicação da imprensa local com publicações de textos, crónicas e poesias. O desenho foi sempre outra das suas paixões, sendo autora de imagens de capa de obras poéticas lançadas pela Editora Imagem e Publicações em 2021. Nos últimos anos, descobriu-se também no seu ‘amor’ pela arte da fotografia onde aprecia retratar, em particular, a beleza feminina e a dimensão artística dos elementos da natureza.