Início Opinião Graça Amiguinho É tempo de voltar às Bibliotecas Ambulantes

É tempo de voltar às Bibliotecas Ambulantes

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Vivemos uma época em que a notícia corre veloz e por muito que a queiramos acompanhar, não temos tempo suficiente para o fazer.

Lemos os títulos mas nem sempre nos resta paciência para desbravar o conteúdo do texto.

As novas tecnologias trazem-nos muita informação mas ficam perguntas que se impõem:

  • Essa informação é suficiente para adquirir uma cultura consistente?
  • Os leitores ficarão informados e capazes de fazer comparações e deduções credíveis sobre o que lêem?
  • Quais os resultados, quando avaliados os conhecimentos ortográficos e de expressão?
  • Qual o destino dos livros que editamos ou desejamos editar?
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Por experiência, sinto da parte dos meus leitores, nas redes sociais, um desejo muito grande de terem nas suas mãos um livro para ser folheado, lido, relido e dele fazerem uma síntese e tirarem ilações.

As idades dos meus leitores são muito variáveis, o extrato social diversificado, o seu local de residência muito diferente, também.

Ao ler a notícia da visita, a Elvas, da Bibliobus de Badajoz e a aderência de Escolas da cidade a este projeto cultural de proximidade, lembrei-me do tempo em que as Bibliotecas Ambulantes da Fundação Calouste Gulbenkian percorriam Portugal de norte a sul, levando literatura disponível para a população que nessa altura não podia comprar livros e para a qual, ler os grandes autores portugueses e estrangeiros, era quase um milagre.

Na minha Aldeia, as pessoas esperavam, ansiosas, a chegada da carrinha da Biblioteca. Escolhiam o que queriam ler, ficavam com o livro em seu poder e passados uns dias, não me recordo quantos, ao regressar a carrinha dos livros, todos iam entregar os que tinham já lido e escolher outros.

Nesse tempo, nas décadas de 50 e 60 do século passado, muito poucas pessoas tinham um aparelho de rádio, as televisões apenas existiam em casas de pessoas mais abastadas ou na Casa do Povo, onde nos reuníamos, como se fôssemos ao cinema, para vermos «As pupilas do Senhor Reitor» de Júlio Dinis.

Os jornais também eram apenas comprados por um número insignificante de leitores, pois poucas pessoas podiam tornar-se assinantes deles.

Mudam os tempos, mudam os costumes.

Porém, pegar naquilo que no passado foi interessante e dar-lhe uma nova roupagem, é sinal de inteligência e também de que há alguém sensibilizado para tentar melhorar o que não vai tão bem como seria desejado.

Poderão ser associados a essas iniciativas, concursos para incentivar os jovens a participar e poderem ter oportunidade de mostrar as suas capacidades como escritores.

Neste momento, Elvas, Campo Maior e Badajoz, têm muitas hipóteses na criação de incentivos de ordem, não apenas económica, mas também cultural e de partilha, das suas tradições e afinidades.

Os meus parabéns à Bibliobus de Badajoz! Seja bem-vinda a iniciativa!

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