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Aquecem-se os motores.

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Apesar da corrida já ir longa, porque por estas paragens as autárquicas já se preparam há meses, mais do que nunca temos a noção que se aproxima um ato eleitoral, mais não fosse pelos inúmeros cartazes e outdoors que enfeiam a cidade. Fazer o quê? Faz parte.

Apresentam-se as listas, multiplicam-se os atos de campanha, as visitas às freguesias rurais, às associações, a presença que se marca em todos os eventos. Começou a caça ao voto.

Numa sociedade em que as nossas vidas têm cada vez mais de virtual, as redes sociais assumem um papel muito importante neste processo, não só como veículo de comunicação e divulgação, mas, acima de tudo, como palco onde se disputam as mais sangrentas batalhas.

Hoje tem-se opinião sobre tudo e expressa-se livremente, sem medir consequências, como se, por vezes, se fosse dono da verdade ou se estivesse acima do bem e do mal. Como em tudo na vida, a moderação assenta-nos tão bem.

O outrora “diz-que-disse” dos cafés ou das barbearias foi agora substituído pelo post ou pelo comentário no Facebook e deles nasce a polémica. E a malta vai-se entretendo.

Cada candidatura a concurso joga os seus trunfos, posiciona-se para a vitória.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Pede-se que apresentem propostas e ideias, mesmo correndo o risco de que outros delas se apoderem, o superior interesse de Elvas deve prevalecer, digo eu. Construir, construir, construir. Pede-se que nos esclareçam, que nos aliciem com verdade. Dispensam-se jogos de poder, tricas palacianas e falácias.

A cidade e o concelho têm problemas reais, alguns específicos da nossa conjuntura, outros que herdamos da macroeconomia em que nos inserimos. Todos precisam de respostas, mais ou menos eficazes.

Precisamos de futuro, de projetos, de realidades e não de sonhos e expetativas ilusórias que nada resolvem, mas que aliciam. Deixem lá o que já está feito, porque feito está, e temos memória, não precisamos que no-la refresquem a toda a hora, não somos néscios, nem nos tratem como tal, somos seres pensantes.

Foquem em criar trabalho que responda às necessidades das famílias elvenses, que fixe jovens e nos garanta o futuro ou em meia dúzia de décadas seremos uma aldeia mais deste interior desertificado.

Os próximos meses serão quentes, não só porque a meteorologia assim o determina, mas porque os ânimos estarão exaltados. Até ao São Mateus (no qual faremos uma pausa para honrar o padroeiro da cidade e tudo é festa) estaremos ocupados, no “diz-que-disse” facebookiano ou naquele que consentirmos que exista. Particularmente não penso alimentá-lo, preocupa-me muito mais a valorização cultural, económica e social da Elvas que nos foi legada e que temos o dever de honrar e dignificar.

Não se esqueçam, porém, que a última palavra é nossa, do povo, de quem vota e seremos nós a escolher quem queremos no leme nos próximos quatro anos. Para isso teremos que dispor-nos a expressá-lo presencialmente e votar. Não choremos depois sobre o leite derramado.

Donald Trump venceu nos Estados Unidos, o Brexit em Inglaterra e as vozes da discórdia não se fizeram esperar. Cumpriram essas vozes o seu dever cívico e expressaram, nas urnas, a sua opinião?

Cumpra cada um de nós a sua parte e aguardemos com serenidade a vontade da maioria.

Palavras leva-as o vento.