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Eleições autárquicas, o dia seguinte

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O outono traz de volta a normalidade roubada por festividades e eleições.

Depois de semanas de apelo ao voto, a cidade volta ao marasmo do dia-a-dia.

Foi, sem margem para dúvidas, uma das mais aguerridas corridas à cadeira da Rua Isabel Maria Picão. Poderá afirmar-se que valeu quase tudo.

Os eleitores expressaram a sua opinião, em maior número que em 2013, o que por si só revela o interesse que o ato despertou. A redução da abstenção foi a grande vitória da democracia elvense. Todos percebemos que a nossa opinião contava.

Nuno Mocinha foi reeleito, com maioria. Rondão Almeida sai pela primeira vez derrotado numa eleição. Ainda assim dividem os eleitos. Nenhuma outra força política terá assento no executivo municipal. Perde a democracia e a pluralidade.

Os eleitores, movidos pela luta “fratricida”, concentraram os votos e deixaram sem expressão as restantes listas que se apresentavam a sufrágio, impedindo-as de ter uma voz mais ativa nos destinos da cidade e do concelho. “Mas a democracia não se esgota no ato eleitoral”, alguém disse.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Em campanha, muitas foram as ideias trazidas à praça pública pelas diversas forças políticas, relativas a diversos quadrantes da cidade e do concelho. Cada um de nós terá uma opinião formada sobre aquelas de que teve conhecimento, mas todas elas são merecedoras de atenção, desde que tenham como objetivo melhorar a vida de Elvas e dos seus habitantes.

Críticas à parte, a verdade é que a participação de um elevado número de candidatos contribuiu para que fossem discutidas propostas e várias cabeças pensassem em tudo o que faz falta a Elvas, fossem identificados pontos fortes e fracos, ameaças e oportunidades.

O trabalho está todo feito. E agora?

No concelho como no país é altura de se projetar a médio prazo e terminar de uma vez com politicas que se abortam ao fim de quatro anos, desde que se mude de cor politica ou de equipa. Tem de haver uma visão estratégica para a cidade, com a participação de todas as forças representadas, longe de egos e interesses pessoais.

Utopia, dirão alguns, ou não. Cabe-nos a todos, cidadãos anónimos, mas atentos e interessados pelo futuro da nossa terra, ser árbitros das políticas escolhidas e dos caminhos que escolherem traçar para nós.

Cada político eleito representa os eleitores que lhe confiaram o voto, mas isso não deve significar que assinemos documentos em branco. Ajudemos a preencher as páginas deste mandato, contribuindo com ideias, com sugestões.

Nas últimas semanas foram aos milhares os comentários que se multiplicaram pelas redes sociais, alguns mais inflamados que outros, mas denotando que muitos são os elvenses que tem opiniões formadas. Vamos potenciá-las, vamos construir juntos, vamos valorizar a nossa cidade, o nosso concelho.

É chegada a hora de ser vivida uma cidadania ativa, deixarmos de permanecer divorciados das tomadas de decisão, das medidas e orientações apontadas. É chegada a altura de todos dizermos “presente” e erguermos a voz para defender o superior interesse de Elvas.

Queremos mais emprego. Queremos um esforço conjunto que lute pela fixação da plataforma logística. Queremos mais e melhor turismo. Queremos poder fixar os nossos jovens. Queremos futuro. Queremos mais, queremos melhor.

Felicito Nuno Mocinha pela vitória, bem como à sua equipa. Felicito também todas as outras candidaturas, sem exceção, pelo trabalho desenvolvido, pela valorização da democracia, especialmente a Manuela Cunha e a Paula Calado Fevereiro que, sem desmerecer nenhuma outra figura, enriqueceram a participação feminina no espectro político local.

Que seja Elvas o móbil das decisões dos eleitos, o seu benefício e dos seus munícipes.

Por Elvas.

Palavras leva-as o vento.

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Nuno Franco Pires

Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes.
Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade.
Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela “Amor entre muralhas” escrita em parceria.
Participou na colectânea “Ei-los que partem” da editora Papel d’ Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, “Searas ao vento”.
Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica “Conversas de Barbearia” do blog Três Paixões.