Há quem diga, e com razão, que falar da vida alheia é uma forma de esconder o que na sua vida se enleia.

Se quem detém o poder nas suas mãos, eventualmente, comete irregularidades, deve ser chamado à atenção e, numa troca saudável de opiniões, sanar qualquer erro cometido.

Quando os problemas ou as situações, em que alguém se sente injustiçado, são trazidos para os maiores meios de comunicação social com o intuito, evidente, de denegrir uma instituição pública ou partidária, há, por detrás dessa forma de agir, sentimentos de ressabiamento e inveja, que em nada abonam a favor de quem os manifesta.

Qual o proveito colhido com tais atitudes?

Penso que, apenas resta, a essas pessoas, o prazer da vingança, esquecendo-se que: «quem com ferros mata com ferros morre.»

Numa cidade pequena, onde todos se conhecem com os seus defeitos e virtudes, poderia ser mais fácil gerir os problemas e resolvê-los de forma que, ninguém, realmente, se sentisse lesado e disso não se fizesse alarde.

Porém, não é isso que acontece.

As notícias aparecem, vistas, apenas, sob um determinado prisma, como se toda a verdade nele estivesse contida.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

O mais triste e lamentável é o debate aceso nas redes sociais, que funcionam como tribunais do povo, uma verdadeira explosão de ódios e vinganças em catadupa.

O mau jornalismo tem sofrido, nos últimos tempos, para lavagem de roupa suja, para limpeza de criminosos e para levar cabeças ao cadafalso, destruindo famílias e vidas, semeando a discórdia e propagando a mentira ou meias verdades, que são piores ainda do que a própria mentira.

A sua função destruidora e difusora alcança os objetivos que se propõe atingir porque, o que fica no ouvido do público, em geral, é o título, o rótulo da notícia, sem que ninguém se preocupe ou se interrogue, sobre a sua veracidade.

É um facto consumado.

Os alvos atingidos têm que se couraçar e se proteger contra a infâmia, embora o espaço que lhes reste seja exíguo.

Triste, muito triste, é a mancha que cai em bom pano, é a forma ignóbil como os assuntos são tratados nas costas dos envolvidos.

Elvas merece ser amada e respeitada pelos seus filhos, sejam eles quem forem, venham de onde vierem.

Existem problemas? Quem os não tem?

Frente a frente, com lealdade, tudo pode ser resolvido, tentando entender as razões das reclamações e se elas são justas.

Não é apunhalando pelas costas, deturpando e difamando, que alguém chega a bom porto.

Costuma dizer-se que «casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão!»

A necessidade de encontrar trabalho, as dificuldades vividas e o desespero, levam as pessoas a tomar atitudes, das quais se arrependerão porque, raramente alcançam dessa forma, os seus objetivos.

Todos temos momentos de ansiedade e dúvida, mas não nos deixemos triturar pela maldade, prepotência e inveja.

Elvas é maior, muito maior e digna, do que as insatisfações que alguns querem propagar.