Elvas, Património da Humanidade

Opinião - Graça Amiguinho
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A minha ancestral cidade de Elvas comemora o décimo aniversário da sua classificação como “Património Mundial da UNESCO”.

Em 30 de Junho de 2012, foi agraciada com a distinção de “Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações”.

Elvas fica situada a 8 KM de Badajoz, cidade fronteiriça. Em tempos passados, constituiu um ponto estratégico de defesa da fronteira e herdou um vasto património militar de reconhecido valor e autenticidade.

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Devido ao grande empenho da edilidade, nomeadamente de uma senhora vereadora, Dra. Elsa Grilo, que não sendo Elvense, muito se dedicou à nossa cidade, contribuindo com o seu trabalho, para que fosse classificado como Património da Humanidade, todo o centro histórico, as muralhas abaluartadas do séc. XVII, o Forte de Santa Luzia, o Forte da Graça, o Aqueduto da Amoreira e os três fortins: de São Pedro, de São Mamede e de São Domingos ou da Piedade, a nossa homenagem póstuma.

Elvas conserva vestígios muralhados que remontam ao século X, período medieval e fortificações da época da restauração da independência de Portugal, em 1640. Várias dessas fortificações representam o mais bem conservado exemplo de fortificações do mundo, com origem na escola militar holandesa.

Na Colectânea “ELVAS À VISTA”, que organizei com 41 autores elvenses, editada em 2019, ficou guardado este meu poema, dedicado à minha amada cidade:

“DO ALTO DA COLINA”

“Aqui, do alto da colina, meus olhos se estendem na calma paisagem.

Vejo Elvas, sempre menina, protegida com muralhas, hoje, com nova roupagem.

Minha cidade milenar, com castelo e pelourinho, ruas estreitas, empedradas,

Com vasinhos enfeitadas, onde as aves fazem ninho.

Grandes largos, tão branquinhos, neles se erguem igrejas e repenicam os sinos,

Convidando à oração, o povo simples e cristão.

Cidade do sol ardente, de jardins tão refrescantes, fontanários dando à gente,

Água, que vem de tão longe, correndo em arcos elegantes.

E, já fora das muralhas, surge uma Elvas moderna, crescendo em altura,

A cidade do futuro, que assinala a nova era.”

(desenho-de-Rui-Barros-in-“MEU-ALENTEJO_RAÍZES”-2021)
desenho de Rui Barros in “Meu Alentejo_RAÍZES” 2021

Ao longe, se avista o Forte da Graça, como um exemplo notável da arquitetura militar do séc. XVIII, considerada, por muitos historiadores, como uma das mais poderosas fortalezas abaluartadas do mundo. Torna-se ainda mais original, pela sua conceção e implantação, num monte, o monte de Nossa Senhora da Graça, bastante elevado.

Também, o Aqueduto da Amoreira, construído entre 1530 e 1622 para o abastecimento de água à cidade, com 1367 metros de galerias subterrâneas e mais de 5 quilómetros e meio à superfície com arcadas que chegam a superar os 30 metros de altura, é símbolo da elegância e grandiosidade de Elvas.

O Aqueduto da Amoreira, construído para permitir resistir a longos cercos, levando água aos habitantes da cidade, é o maior da Península Ibérica.

Aqueduto-desenho-de-Rui-Barros-in-“-MEU-ALENTEJO-–-RAÍZES”
desenho de Rui Barros in “ MEU ALENTEJO – RAÍZES”

Tenho cantado Elvas, em todos os meus livros, porque nela me revejo, nela sinto a minha alma rejuvenescer.

“ELVAS, SEMPRE ELVAS” – in “ELVAS À VISTA”

Elvas, minha cidade, princesa do Alentejo!
Mata, em mim, esta saudade, com teu abraço e beijo!
Elvas, berço de mouras, olhos belos, sedutores,
Das ameias debruçadas, olhando os seus amores!
Elvas, cidade fronteiriça, de olhos virados para Espanha!
Ainda hoje despertas cobiça, com tua beleza tamanha!
Elvas, sempre Elvas, és o meu encanto, cidade abaluartada!
Para ti, este meu canto, linda princesa encantada!
Elvas, ó Elvas, diz que me amas, até ao nascer da alvorada!

As fortificações de Elvas são um dos grandes destinos culturais e que atraem numerosos viajantes.

É com alguma vaidade que podemos afirmar que Elvas tem um dos mais belos centros históricos de Portugal.

Elvas não é apenas, um mero ponto de passagem. O turista sensível quase sente a obrigação de aqui ficar para conhecer estas extraordinárias fortalezas, que são as mais monumentais no mundo, com destaque de relevo para o Forte da Graça.

Mas, Elvas tem muito mais para mostrar, a quem a visita. O seu património religioso e cultural é digno de ser descoberto.

No meu livro “ALMA ALENTEJANA” escrevi este poema que retrata um pouco do que somos e do que temos:

Desenho de Rui Barros in “ALMA ALENTEJANA”

“ELVAS, LINDA CIDADE”

Elvas, linda cidade, terra de gente raiana, de ti eu tenho vaidade, minha rica alentejana.

Tuas ruas estreitinhas, cheias de vasos floridos, guardam saudades minhas, recordam tempos idos.

Cidade antiga, moura encantada, branca e tão linda, eterna namorada.

Estás perto do rio Caia, nele lavas os teus pés! Ofereces sericaia, aos forasteiros fiéis!

Cidade de tradições, com as saias bem cantadas, que alegram os corações, nas tardes ensoalheiradas.

Cercada de olivais, que nos dão azeite puro, por lá cantam os pardais comendo o fruto maduro.

O Senhor da Piedade, ancestral romaria traz alegria à cidade e bons dias de folia!

Todos nos sentimos gratos pelo amor dedicado à nossa cidade, por quem nos representa ao mais alto nível, político, social e cultural.

Elvas é o nosso orgulho! Que os anos vindouros sejam de paz e progresso!

Termino com o poema que escrevi e foi publicado na contra-capa de “ELVAS À VISTA”, como testemunho da nossa boa vizinhança com os amigos de Espanha:

“Quando Elvas se levanta,
Com seu ar namoradeiro,
Na paisagem se espreguiça
E tem, na sua garganta,
Melodia transfronteiriça!”


A articulista actua como Colaboradora do Portal Elvasnews e o texto acima expressa somente o ponto de vista da autora, sendo o conteúdo de sua total responsabilidade.