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Elvas – Recantos com História: Aqueduto da Amoreira

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©Manuel Martins
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Em 1498, a única fonte de abastecimento de água potável, na então vila de Elvas, era o “Poço de Alcalá”, quando este começou a perde-la por forma alarmante, a inquietação das autoridades foi enorme, já que seria extremamente difícil trazer a Elvas a água de qualquer das nascentes que a circundavam, pelo grande desnível entre a povoação e os terrenos onde elas desabrochavam.

O Rei D. Manuel nas Cortes de Évora, compreendendo a dramática situação, autorizou um imposto que ficou a chamar-se “Real d’água” e que consistia no pagamento de um real a mais do que o seu custo, em cada arrátel de carne e de peixe que se comesse em Elvas e em cada quartilho de vinho que se bebesse, para que com essa verba se concertasse o poço.

Verificada a inutilidade dos esforços, não se hesitou em aceitar a ideia de trazer a Elvas a água do grande manancial da Amoreira, este situava-se a cerca de 8Km de distância.

A sua construção decorreu desde 1529, até à data da sua inauguração em simultâneo com a fonte da Misericórdia em 23 de Junho de 1622. Delineado e dirigido apenas por portugueses (Francisco de Arruda; Afonso Álvares e Diogo Marques) e erigido apenas por elvenses.

As suas linhas quebradas são atribuídas à necessidade que o seu arquitecto teve de o proteger da força do vento, para que pudesse cumprir a sua obra de misericórdia de “dar de beber a quem tem sede”, a que tantos elvenses abnegadamente se entregaram durante seis gerações sucessivas.A sua extensão, desde a nascente até à fonte da Misericórdia, onde pela primeira vez correu a água do Aqueduto é de 7.790 metros e a sua altura, nos pontos mais importantes, em que as arcadas se sobrepõem em quatro andares, é de 31 metros.

Ao longo dos muitos anos que o aqueduto já levava de construção, a falta de seriedade por parte dos empreiteiros que iam ganhando as arrematações, já que a obra se fazia por empreitadas, era cada vez maior.

No ano de 1615 as coisas pioraram, visto que os fiscais da Câmara praticamente deixaram de exercer a sua função atendendo à altura do aqueduto e à fragilidade dos andaimes, o que muito os assustava. Esta circunstância deu azo a que o empreiteiro de então Miguel Martins, para abreviar a conclusão da empreitada, não cumprisse com as exigências de uma construção sólida.
Quando se manifestaram algumas ruínas, os fiscais da Câmara descobriram que era preciso acudir rapidamente à consolidação da obra para evitar uma grande ruína. Foi então afastado o desonesto empreiteiro, mas o que o substituiu não foi capaz de evitar aquilo que todos temiam – a fragorosa queda de vários arcos. O empreiteiro Miguel Martins fugiu da cidade e nunca mais foi visto.

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