Cidade de Elvas
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Opinião de Graça AmiguinhoHá dois anos, no meu livro “Alma Alentejana” dediquei este poema à minha cidade:

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ELVAS, LINDA CIDADE
Elvas, linda cidade,
Terra de gente raiana,
De ti eu tenho saudade,
Minha rica alentejana.

Tuas ruas estreitinhas,
Cheias de vasos floridos,
Guardam saudades minhas,
Recordam os tempos idos.

Cidade antiga,
Moura encantada,
Branca e tão linda,
Eterna namorada.

Estás perto do rio Caia,
Nele lavas os teus pés,
Ofereces sericaia,
Aos forasteiros fiéis.

Cidade de tradições,
Com as Saias bem cantadas,
Que alegram os corações,
Nas tardes ensoalheiradas.

Cercada de olivais,
Que nos dão azeite puro,
Por lá cantam os pardais,
Comendo o fruto maduro.

O Senhor da Piedade,
Ancestral romaria,
Traz alegria à cidade
E bons dias de folia!

Elvas surge como um toque de clarim na pacatez da imensa planície alentejana.

É a vigia e protectora das planuras, iluminada pela intensa luz do Alto Alentejo, que lhe bate com intensidade nas muralhas e nas casas e lhe segreda ao ouvido como ela é linda e importante.

Vindo do interior do Alentejo não se vê a cidade nova que se desenvolveu na encosta, fora de muralhas. Temos a sensação de que chegamos à cidade que sempre conhecemos, ainda armada. Vemos à nossa esquerda, na colina do Monte de Nossa Senhora da Graça, o grandioso Forte da Graça ou Forte de Lippe, a jóia da coroa, obra arquitectónica, única no mundo, Património da Humanidade.

Subindo ao cimo e espreitando o panorama que nos espera, ficamos deslumbrados com a imensidão que a nossa vista alcança.

Noutros tempos, tempos de guerra, as nossas tropas dali podiam ver se os espanhóis vinham a caminho, de Badajoz, ou se os reforços portugueses já tinham passado as portas de Estremoz.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Elvas, vista do Forte, é fantástica, e não tinha nenhuma outra praça mais importante do que ela, no Alto Alentejo.

Elvas, pela sua posição estratégica, era a passagem natural de qualquer força militar que resolvesse invadir Portugal, pelo sul, o que muitas vezes aconteceu.

Com a construção do Forte da Graça, dirigida pelo Conde de Lippe, no reinado de D. José I, entre 1763 e 1792, a cidade passou a ter uma capacidade de defesa superior e moderna, reforçada pelas suas novas muralhas.

Há na cidade outro forte, o Forte de Santa Luzia, construído um século antes, com grande importância na defesa da cidade, pois chegou a ter uma guarnição superior a 7000 homens.

Podemos observar o seu castelo, reconstruído por D. Sancho II, em 1230, depois da conquista da cidade aos mouros. Outros reis portugueses o foram aumentando, ao longo dos tempos. D. Fernando aumentou-o de tal forma que passou a ter 22 torreões.

  1. João II deu-lhe a torre de menagem e D. Manuel I acrescentou-lhe uns floreados em pedra e fez de Elvas, uma cidade.

Foi ainda nas instalações medievais que se realizaram as Cortes de 1361 e se assinou o Tratado que prometia o casamento de D. Beatriz, filha do nosso rei D. Fernando, com D. João I de Castela.

Por causa deste casamento, os castelhanos cercaram a fortaleza, passados 24 anos, mas sem sucesso. Em 1658 houve um novo cerco, ao qual os portugueses também resistiram.

Em 1659 acontece a Batalha das Linhas de Elvas que provocou uma pesada derrota aos invasores.

Porém, nem só de lutas, sangue, mortes e sofrimentos, viveu esta bela cidade.

Muito animada deve ter sido a festa de casamento do infante D. João, pai de D. Sebastião, com D. Joana, filha do rei de Castela, Carlos V, em 1552.

Outras terão sido mais comedidas, tal como a do futuro D. João IV com D. Luísa de Gusmão, em 1633.

Contudo, a maior de todas as festas ocorridas na nossa cidade, deve ter sido a de 1383, entre os prometidos noivos, D. João de Castela e D. Beatriz.

Estava presente o cavaleiro Nuno Álvares Pereira e vendo que não tinha lugar na mesa de honra, repleta de castelhanos, virou-a violentamente e saiu porta fora. Poderemos imaginar as consequências dessa atitude, sinal de uma revolta enorme pelo que estava acontecendo.

Quem vem de Santa Eulália, Barbacena ou Vila Fernando, para entrar na cidade, tem que passar o grandioso aqueduto da Amoreira, obra monumental, que só perde em tamanho, comparado com o das Águas Livres, em Lisboa.

O Aqueduto da Amoreira foi construído entre 1500 e 1622 pela população da cidade de Elvas, que vivia sempre sem água e com a particularidade de não ter sido financiado com subsídios reais.

Os seus 6 quilómetros foram levantados, a pouco e pouco, arcos sobre arcos, até uma altura de 30 metros.

A primeira fonte onde jorrou água abundante foi a Fonte da Misericórdia, seguindo-se outras, sendo a mais sumptuosa, a de São Lourenço, do século XVIII. São 13 as fontes da cidade, qual delas a mais bonita!

A cisterna, que regularizou o caudal, foi construída em 1650.

Vamos agora ao coração da cidade de Elvas!

Deparamo-nos com um espaço enorme, com o chão trabalhado com a famosa calçada portuguesa, e em grande destaque, temos a igreja matriz, antiga Sé, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, quando Elvas se tornou diocese em 1569. Foram longos anos a construir esta grandiosa catedral.

Quando abriu ao público, em 1537, estava inacabada, e o que nela faltava, teve que esperar até finais do século XVIII, havendo grandes alterações do estilo inicial.

É uma obra monumental na qual podemos apreciar todos os estilos, desde o manuelino ao neo-clássico.

Olhando a porta principal, observamos que começa num arco românico com um singelo friso manuelino, para passar por um portal em mármore com duas colunas, totalmente setecentista.

O seu interior, de dimensões generosas, apresenta uma abóbada em pedra com armas do Venturoso, enquanto as paredes estão cobertas de belos mármores trabalhados e pinturas do século XVIII.

Ainda podemos admirar um magnífico órgão italiano, de 1777.

Outra preciosidade desta linda cidade raiana é a sua igreja de S. Domingos, uma belíssima estrutura gótica, incompleta e aumentada, posteriormente.

O seu espaço e simplicidade original são nitidamente conventuais, tendo sido depois cobertos com a beleza dos azulejos setecentistas.

Por toda a cidade encontramos outras igrejas onde poderemos descobrir muitos detalhes de interesse tais como um portal manuelino, aqui, um pano de azulejos seiscentistas ali, um altar barroco, mais além.

Muito temos para ver e aprender nesta rica cidade alentejana.

Subindo ao largo da Alcáçova, que é pequeno, situado bem no alto, na cidade medieval, existia uma mesquita, convertida em igreja no século XIII.

A que vemos agora poderá ser classificada como setecentista pois foi completamente redecorada nessa época.

Já vai longa a minha viagem cultural pela cidade que amo, a cidade que me viu crescer, a cidade onde me instruí e onde sempre adoro voltar.

Até Setembro, meus queridos leitores!

A todos vós, desejo um verão tranquilo, com saúde e confiança em dias melhores!