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Elvas “a saltada”, outra vez

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Rui Salabarda, Facebook
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Criatividade. Irreverência. Perseverança. Determinação.

Um ano mais, o assalto a Elvas.

Da Sociedade Instrução de Recreio à Casa-museu da nossa artesã Joana Leal, muitos foram os espaços da cidade que ganharam novas formas, colorações e sonoridades pela mão da incansável Cátia Terrinca que voltou a rodear-se de muitos e bons artistas, locais e não só.

Com o verão no auge, a cidade a ser visitada por cidadãos do mundo, um festival como este, com tudo o que tem para oferecer, constitui uma diversificada oferta.

Ser Património mundial é também isto, para além do Aqueduto, dos Fortes, das igrejas, é a nossa cultura, revisitada em novas abordagens que a enriquecem e a mantém viva.

Elvas abre-se ao mundo, às artes e com isso cresce, expande-se.

Aparentemente, na pacatez que nos caracteriza, estranha-se. É diferente do que conhecemos e por isso receia-se, mas reconhece-se-lhe o potencial.

Muda a face da velha Elvas, rejuvenesce-a, fá-la parecer mais irreverente.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

De repente, num sábado de manhã, o Mercado da Casa das Barcas sai da rotina e alberga a criação do artista Ricardo Guerreiro Campos, de Setúbal.

Do Brasil chega Simone Donatelli que convida à criação de bonecos de cheiros.

As portas do bonito salão da sede de “O Elvas” são palco de uma peça teatral que José Lobo protagoniza. Pinta-se, canta-se, recita-se poesia.

E outros tantos artistas e outros tantos recantos da cidade que se valorizam com esta experiência e que não quero cometer a deselegância de me esquecer de citar ou não referir. Todos estão de parabéns e merecem o nosso aplauso e agradecimento.

São unânimes, encantados com a beleza da cidade, com as emoções que a urbe lhes transmite, enaltecem-na e tornam-se dela embaixadores. O turismo também sai reforçado.

Ao longo de vários dias, descobrem cada detalhe que, a sua sensibilidade artística lhes permite valorizar mais que o comum mortal, inspirar-se nele e criar, confirmando a máxima de Saint-Exúpery: não vão sós, deixam um pouco de si e levam algo de nós.

Acredito que o orçamento não seja elevado, mas certamente compensa o retorno que a cidade recebe. A apresentação na Casa do Alentejo, em Lisboa, deu-nos visibilidade e digam lá, os que são verdadeiramente elvenses, se o orgulho não os invadiu ao ver, qual Joana Vasconcelos, a trapologia da nossa Joana Leal a decorar o espaço? Faz-se-lhe justiça.

Vale-nos a carolice da Cátia Terrinca a que se vão juntando, felizmente, cada vez mais inquietos que, como ela, gostam de fazer acontecer, apenas porque sim.

Felicito-os, a todos, pelo esforço, pela dedicação, esperando que voltem a “a saltar-nos” no próximo ano, de forma ainda mais implacável.

Bem hajam.

Palavras leva-as o vento.

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Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.