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EN 373, mais do mesmo

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E Moitas
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Chegaram as primeiras chuvas. Graças a Deus.

Depois de uma seca que se arrasta para lá do desejado, os últimos dias devolveram-nos a esperança com a queda das primeiras pingas, tímidas, que foram ganhando confiança. Agradecem-nos as parcas reservas de água, as terras e as acanhadas culturas, os animais com sede.

Ainda assim, sabe a pouco e deseja-se fervorosamente que o que resta de outono e o vindouro inverno permitam que a tendência se mantenha.

Mas como não há bela sem senão, as primeiras chuvas trazem também uma necessidade acrescida de cuidado ao volante. As estradas acumulam gordura que as primeiras águas transformam, rapidamente, no inimigo número um dos incautos ou imprudentes.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

A passada semana foi exemplo disso mesmo, felizmente sem gravidade de maior, apenas danos materiais. Como sempre, a EN 373 voltou à atualidade e, como habitualmente, pelas piores razões.

Já uma vez me tinha referido a ela neste meu espaço de opinião e a verdade é que decorridos dez meses nada mudou. Sinto-me a falar para o boneco.

Continua o tráfego intenso, as colunas de pesados e o perigo iminente numa estrada estreita, sem valetas e com curvas acentuadas.

Continuo a desconhecer quem será a autoridade competente para solucionar a questão e a verdade é que nem a recente campanha eleitoral autárquica, período de grande consciência coletiva, despertou a atenção para este flagelo que assola os concelhos de Elvas e Campo Maior.

São às centenas os elvenses e campomaiorenses que diariamente percorrem aquela artéria e não o fazem em segurança.

Urge construir uma circular a Santa Eulália que permita devolver os pesados à EN 245 e contorne a questão do túnel ferroviário daquela freguesia do concelho de Elvas. Urge fazer obras de beneficiação e alargamento da EN 373.

Quantos acidentes mais serão necessários para que se mereça a atenção de quem tem poder para resolver a situação? Quantas vidas mais terão de ser perdidas para que se perceba que é um problema real que afeta e preocupas ambas as populações?

Não tirando o valor às coisas, nem só de requalificações patrimoniais e festas vive o homem, a sua segurança e qualidade de vida devem estar nas prioridades de quem manda.

Caso não o tenham presente, existimos para além do período eleitoral e somos mais do que uma cruz depositada num pedaço de papel colocado dentro de uma urna.

Fica a dica, certo que muitas são as vozes que se unem à minha e, enquanto utilizadores diários, sentem na pele a insegurança desta via de comunicação.

Palavras leva-as o vento.

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Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.