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O Palácio dos Henriques, conhecido pelas gentes de Estremoz como Palácio Tocha, vai ser transformado em Museu do Azulejo pela proprietária do imóvel, a Fundação Berardo.

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A recuperação do imóvel está a cargo da própria Fundação Berardo, que adaptará a estrutura para receber o novo espaço museológico.

Segundo o Presidente da Câmara Municipal de Estremoz, Luís Mourinha, em declarações a uma rádio local e citado pelo Ardina do Alentejo, a recuperação deste imóvel setecentista, classificado como Monumento de Interesse Público, poderá começar a partir de Julho ou Agosto, depois de aprovada uma candidatura a apoio comunitário.

O edil enalteceu “o interesse e a expectativa” dos privados em investir no concelho, “em particular na cultura” e referiu que “Estremoz agradece a quem quer investir no concelho”.

Nota histórica (DGPC)

O Palácio dos Henriques, vulgarmente conhecido em Estremoz por Palácio Tocha, é um imponente imóvel setecentista erguido num amplo rossio da vila, hoje Largo D. José I, rodeada por outras habitações da mesma época. Trata-se do solar erguido pelo capitão Barnabé Henriques, cuja mulher, D. Josefa Maria da Silveira, mandou erguer em meados do século XVIII a Capela do Menino Jesus, na vizinha Igreja de São Francisco (Túlio Espanca, 1975). Os três pisos da fachada, rematados nos cunhais por grandes urnas e fogaréus, destacar-se-iam seguramente na praça. São rasgados por vãos emoldurados com mármore da região, alternando as janelas dos pisos térreo e superior com as sacadas do piso nobre, em cada caso rematadas de forma distinta, recorrendo-se a volutas, enrolamentos e formas ainda barrocas, que convivem com frontões triangulares, tríglifos e pilastras já neoclássicos. De facto, o programa decorativo do edifício denota claramente a transição entre as modulações e jogos de luz do Rococó e a busca do novo classicismo emergente. Sobre a portada principal destaca-se o escudo de armas da família fundadora.
No interior, ao qual se acede através de vestíbulo calcetado, destacam-se as salas e corredores cobertos por painéis azulejares setecentistas. Antes destes, merece menção particular a escadaria de dois patamares, em mármore, coberta com tecto de estuques. Logo aí se encontram as primeiras paredes forradas a azulejo azul e branco, representando cenas galantes ou de caça. Seguem-se os salões nobres, onde estão sempre presentes os estuques, os frisos decorados, as moldurações em mármore e as cerâmicas. O salão central, ou Sala das Batalhas, tem a particularidade de apresentar silhares alusivos a campanhas militares regionais e batalhas da Guerra da Restauração, concordantes não apenas com a história local, como com a condição de militar do fundador da casa. Em outras dependências encontram-se cenas mitológicas e alegóricas, mais cenas campestres, e painéis decorativos avulsos, de qualidades díspares.
A casa dispõem-se em planta rectangular, prolongada nas traseiras em duas alas laterais sobre um pátio interior, ao qual se seguia o extenso jardim. No início do século XX, sendo a casa propriedade do Eng. José Rodrigues Tocha, ainda herdeiro da família Henriques, foi por este levantado um jardim no largo fronteiro.
No solar chegou a pernoitar, em 1860, o rei D. Pedro V e a sua comitiva, atestando este facto do destaque que a propriedade tinha entre as suas congéneres da vila. Mais tarde, já no século XX, serviu como hotel.