Mais que uma exposição, uma causa, um projeto coletivo

©Elvasnews
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O coração já bate e promete bombear sangue por toda a cidade.

Refiro-me à exposição “Reconstrução de um olhar#Entre a sombra e a luz” que no passado sábado foi inaugurada no Museu da Fotografia.

Dando continuidade ao trabalho que Elvas já reconhece, Céu Péguinho e Elisabete Fiel foram as mentoras do projeto e endereçaram-me o convite para juntar palavras à sua arte. Seria impossível recusar. E como esperava, não fiquei desapontado.

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Além da oportunidade de experimentar um projeto novo e diferente, trabalhar com ambas é extremamente fácil. Donas de um talento que vai muito para além das fronteiras do concelho têm, ainda, a generosidade própria das grandes almas. Aprende-se com elas a cada gesto.

Mais que uma exposição, foi-lhe adicionada uma causa e a violência doméstica deu o mote. Procurou-se explorá-la não só na sua componente mais negativa mas foram-lhe dadas pinceladas de vida e de esperança, simbolizadas pelo coração que compõe o cartaz e que visa dar alento a vidas atormentadas.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Entendeu-se também que a exposição deveria ir para além das paredes do museu que a alberga e deveria ir ao encontro da cidade, das pessoas, despertando-os para a arte e para a causa. Se bem se pensou, melhor se fez e, a pouco e pouco, foram-se adicionando possíveis locais para fazerem parte desta aventura.

Desenganem-se os que pensam que a ideia não reuniria consenso, muito pelo contrário. Dos locais públicos aos privados a adesão e a colaboração foi total, percebendo-se que a cidade está ávida de iniciativas, principalmente se são diferentes.

Do Forte da Graça (a jóia da coroa), à Repartição de Finanças, passando pelo Hospital de dia, pelo Tribunal, PSP, Escola Superior Agrária e de um sem-fim de estabelecimentos comerciais que se aperceberam do projeto e quiseram desde logo associar-se a ele, a disponibilidade foi total.

O roteiro está atualmente disponível na aplicação thinglink para os que tiverem interesse em percorre-lo e conhecer a exposição no seu todo. Recomendo-o vivamente.

Mas a ligação às novas tecnologias não se fica por aqui. Enquanto a exposição continua patente até dia 1 de Maio, está em desenvolvimento o e-book da mesma onde, os interessados, terão acesso às fotografias dos quadros, das instalações e dos micro contos que compõem o acervo.

Termino esta crónica desafiando todos para que se desloquem ao Museu da Fotografia, se deixem contagiar por este espírito criativo, e daí sigam o périplo da exposição por toda a cidade. Importante é, também, aproveitar esta leveza e reflletir sobre a causa que lhe está associada e que infelizmente assola uma fatia substancial da população.

Palavras leva-as o vento.