Castelo de Vide
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Opinião de Graça AmiguinhoSeguindo o percurso que iniciámos, há quinze dias atrás, vamos percorrer e desbravar todo o encanto histórico e natural, desta nossa belíssima região do Alto Alentejo.

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 Vide, era o nome desta terra, até ao reinado de D. Dinis, que nela construiu o primeiro castelo de que há memória histórica. Talvez houvesse outro, que poderá ter sido arrasado por D. Afonso Henriques, nas suas lutas de conquista aos mouros. O primeiro foral, conhecido, data de 1180, dado a Pedro Anes, embora haja outro de 1310 e um outro, manuelino, de 1512.

O rei D. João I deu a vila a um dos seus pares da “Ala dos Namorados”, Gonçalo Anes.

Em plena Idade Média, D. Afonso IV, mandou levantar o castelo, em 1327, quando a vila foi doada à Ordem de Cristo, em troca de Castro Marim.

À volta do castelo e dentro dele, tudo parece permanecer como nessa época. As ruas estreitas, as casas caiadas de branco de dois andares, enfeitadas de lindos vasos de flores, serão como as que ali havia nos séculos XV e XVI!

A parte mais moderna, mas com iguais características, foi crescendo, na parte baixa, durante os séculos XVII e XVIII. Até a judiaria, que existiu nas grandes cidades portuguesas e em muitas delas desapareceu, aqui está intacta, realçando os símbolos judaicos. As suas portas em ogivas são imensas, não se encontrando mais, em nenhuma outra cidade de Portugal. As grades das varandas, trabalhadas artisticamente em ferro, são um verdadeiro trabalho rendilhado que tornam mais belas as fachadas.

Pela vila, encontramos diversas casas importantes, como a do Clube, em estilo barroco com características espanholas. Há uma outra casa brasonada, que faz curva numa esquina, onde nasceu Mouzinho da Silveira.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

Esta linda vila fazia parte da defesa da fronteira e era guarda avançada de Portalegre.

Muito sofreu em 1704 com os vizinhos espanhóis e em 1801 com as invasões francesas.

Talvez, por tudo isso, hoje ainda temos tanto que ver nesta vila Alentejana, casas ricas e simples, edifícios públicos e muitos religiosos.

Poderemos aqui encontrar, sem exagero, 24 igrejas, verdadeiro sinal da fé de um povo, desde o século XIII ao século XVIII. A mais importante é a de Nossa Senhora da Alegria, forrada, totalmente, de azulejos seiscentistas.

A igreja de S. João Baptista pertencia à Ordem de Malta. Uma outra, digna de registo, a do Asilo de Nossa Senhora de Esperança, integrada no convento dos Franciscanos, tem um claustro, muito notável, do tempo de D. João I.

Já em outro dos meus escritos falei das boas águas de Castelo de Vide, recomendadas no tratamento de doenças de estômago, reumatismo e de pele. Estas águas medicinais são provenientes de várias nascentes, sendo a mais conhecida, a da Fonte da Vila, que tem um alpendre redondo, com suporte em colunas renascentistas.

Portanto, a par do interesse cultural e histórico desta região, poderemos aproveitar para restabelecimento e equilíbrio da saúde.

As gentes de Castelo de Vide são alegres, gostam de festejar os Santos populares, embora, este ano, por motivos de saúde pública, ninguém o deva fazer, gostam de pular e dançar no Carnaval e acompanhar, com fervor, as Procissões Pascais.

Para nos despedirmos de Castelo de Vide, vamos à capela de Nossa Senhora da Penha, já fora da vila, de onde podemos observar uma panorâmica magnífica.

Continuaremos o nosso percurso pela Rota da Fronteira, neste nosso Alentejo de sonho e beleza!

Afinal, há muito por descobrir neste lindo Portugal. Aproveitemos este momento em que os preços são mais convidativos, devido à falta de turistas estrangeiros. Procuremos encontrar o lado positivo de cada dia que vivemos.