Paula Freire, opinião
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Foi em Setembro que te conheci.

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Foi em Setembro que fizeste nascer a poesia da nossa canção e a mais bonita música que me toca o coração.

Porque assim são os filhos, compositores das grandiosas melodias que nos enriquecem os dias.

O primeiro som que nos invade o peito e nos faz acreditar em anjos. E mais ainda no amor.

Os filhos que nos abrem janelas e nos fazem crescer asas rumo a uma imensidão que desconhecíamos, deixando-nos a fragilidade exposta. Mas sem nunca nos sentirmos tão certos de uma surpreendente força maior, que nos faz mover altas montanhas e descobrir fogo debaixo da pele.

Aqueles que, sem pedir licença, nos transformam a vida e nos convidam em cada dia, com eles, a rir, a chorar, a sonhar mais longe.

Foi em Setembro que te ConheciOs filhos que nos ensinam que é preciso apenas um lápis de cor para se criarem todos os universos possíveis. Que nos basta desenhar um círculo para termos em nós um mundo inteiro para descobrir. Que, com um só abraço, nos levam a cruzar todas as fronteiras numa viagem pelos quatro cantos do planeta.

Os nossos filhos, os únicos capazes de nos mostrar como é possível pintar do nada as mais belas aguarelas da vida. Porque é somente com eles que podemos contar as gotas da chuva que caem pelos vidros da janela, ao som de uma rima a duas vozes. Ou ler um poema, a rir, como quem salta loucamente à corda. Ou escrever uma história gigante com as cores da emoção. Que nos dão voz à imaginação e a sabedoria para alçar voos enquanto houver um céu azul por cima de nós. Porque só com eles podemos viver este encantamento tão único de sabor especial e dar à palavra “alegria” o nosso próprio nome.

Os filhos, os guardiões da primavera sempre em flor, a fazer-nos morada no olhar. A luz que nos promete ao anoitecer que, para cada escuridão, haverá sempre a esperança de um eterno amanhecer.

Foi em Setembro que te conheci.

E diz a letra que trazias nos olhos a luz de Maio e nas mãos, o calor de Agosto. E um sorriso. Um sorriso tão profundo que me encheu por completo a alma. Talvez por isso, nessa noite, choveram rosas a compor a poesia da nossa canção e a mais bonita música que me toca o coração.

Foi em Setembro que te conheci. E sim, tu és a mais linda história de amor que um dia me aconteceu.

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Natural de Lourenço Marques, Moçambique, reside actualmente em Vila Nova de Gaia. Com formação académica em Psicologia e especialização em Psicoterapia, dedicou vários anos do seu percurso profissional à formação de adultos, nas áreas das Relações Humanas e do Autoconhecimento, bem como à prática de clínica privada. Filha de gentes e terras alentejanas por parte materna, desde muito cedo desenvolveu o gosto pela leitura e pela escrita, onde se descobre nas vivências sugeridas pelos olhares daqueles com quem se cruza nos caminhos da vida, e onde se arrisca a descobrir mistérios escondidos e silenciosas confissões. Um manancial de emoções e sentimentos tão humanos, que lhe foram permitindo colaborar em meios de comunicação da imprensa local com publicações de textos, crónicas e poesias. O desenho foi sempre outra das suas paixões, sendo autora de imagens de capa de obras poéticas lançadas pela Editora Imagem e Publicações em 2021. Nos últimos anos, descobriu-se também no seu ‘amor’ pela arte da fotografia onde aprecia retratar, em particular, a beleza feminina e a dimensão artística dos elementos da natureza.