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Hoje a crónica não podia ter outro tema.

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Foi com grande satisfação que, em mais uma edição do semanário elvense “Linhas de Elvas, li a notícia sobre a venda da Fábrica de Ameixas d’Elvas de Luís Conceição.

Sendo Elvas uma cidade historicamente agrícola e de serviços, a conserva de frutas doces foi a única atividade industrial que conseguiu ter expressão por estas bandas. O final do século XIX e início do passado século XX foram prósperos, surgindo várias fábricas no centro histórico e empregando dezenas de pessoas.

O produto soube afirmar-se, até mesmo além-fronteiras, e levou mais alto o nome da cidade, merecendo destaque da conhecida escritora britânica, Agatha Christie. Reconhecidamente, há mercado para ele, assim saiba reinventar-se e tenha vigor para conquistar novos públicos.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

A tradição chegou à atualidade pela mão de Luís Conceição que foi capaz de prolongar o sonho dos pais e dar-lhe continuidade quando tudo fazia prever que não havia futuro para as nossas Ameixas Doces. Deixa o leme do barco à beira de assinalar o centenário da empresa.

A Luís Conceição sucederá a família Sereno Fonseca, com créditos dados para que as expetativas sejam as melhores. A entrada de sangue novo aporta sempre novas ideias, diferentes visões que podem constituir uma mais-valia. Assim o esperamos.

Li que pretendem preservar o processo tradicional de fabrico, ao ponto de estar pensado um espaço museológico, mas potenciar-lhe a venda, reposicionar o produto no mercado. Não podia estar mais de acordo com a visão dos seus novos proprietários.

A revitalização daquela unidade industrial além de ser um importante contributo para agitar o nosso tecido económico, poderá criar emprego e, acima de tudo, dá garantias de continuidade a um produto que sendo de Elvas merece que todos os elvenses o acarinhem.

Já é hora de a cidade dar importância ao que é genuinamente seu.

As ameixas de Elvas são um legado que nos foi deixado pelos nossos antepassados e do qual nos devemos orgulhar. Saber preservar a nossa cultura, as nossas tradições, e transmiti-las às gerações vindouras como forma da nossa identidade, da nossa individualidade, é também ser património mundial. Nem só de monumentos vive o homem.

Os privados estão a fazer a sua parte, compete também às instâncias oficiais perpetuar esta arte. É altura de se criarem workshops, de recuperar os saberes dos naperons de papel que forravam as caixas onde outrora as ameixas eram comercializadas, de fomentar a inovação e a criatividade gastronómica com este fruto, de criar uma feira da ameixa que a potencie, a divulgue e a associe à cidade.

Longe devem ir os tempos em que a denominação de origem se perdeu noutras paragens. A ameixa é de Elvas, que raio, ou alguém duvida?

Vive-se um ponto de viragem, todos tem um papel a cumprir.

Palavras leva-as o vento.