Invasões portuguesas

Campeões da Europa recebidos em apoteose na chegada a Lisboa
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Partimos confiantes. Fernando Santos avisou a família, só regressaria no dia 11 de Julho. Do ponto de vista da gestão doméstica é importante que estas questões fiquem claras.

A contrariar o espírito luso, as principais casas de apostas internacionais não nos incluíam no lote dos favoritos.

A fase de grupos arrefeceu os ânimos. Três empates, num grupo que parecia acessível (será que o era). Passámos, sem glória, em terceiro lugar do grupo depois do providencial golo da Islândia aos noventa e dois minutos de jogo. O destino indicava-nos o caminho. Daí para a frente bastou segui-lo.

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A equipa foi crescendo, o coletivo foi dando provas do seu valor. Levantavam-se vozes de crítica a tentarem minimizar o mérito de português. As piores vinham do país anfitrião que, numa arrogância despropositada, deitava abaixo as pretensões lusas.

E Fernando Santo continuava a acreditar.
E com ele a equipa

Questionado de início, pelas opções conservadoras, Fernando Santos (o grande mentor deste feito) soube fazer as alterações necessárias e a equipa ganhou fôlego e corpo.

Nuno Franco Pires
Nuno Franco Pires, escritor

Entre a Alemanha e a França ditou a sorte que enfrentaríamos os anfitriões no Estádio de França no dia em que a cortina cairia neste Campeonato de Europa de 2016.

A esperança batia em uníssono nos corações lusos, nos onze milhões do território nacional e noutros tantos espalhados pelo mundo. Os emigrantes souberam dizer presente e apoiaram incondicionalmente a seleção de todos nós, ávidos de levantar bem alto a nação que tiveram de deixar para trás mas que guardam no coração. Segundas gerações, nascidas em França, equipadas com as cores nacionais e a torcerem pelo país natal de pais e avós porque “foi o amor que lhe ensinaram em casa”. Não se explica, sente-se e causa aquele arrepio.

Faz-se justiça a uma nação “valente e imortal” que em tempos idos deu mundos ao mundo e deixou a sua marca nos cinco continentes. Uma nação que há muito é ignorada e maltratada pelos grandes da Europa que a olham com arrogância. Uma nação que espalhou os seus filhos pelos quatro cantos do mundo e que se notabilizam nas diversas áreas.

O dia 10 de Julho passará a ser recordado como o dia em que chegamos lá, cansados de quase lá chegar. Já é hora de inflamar o orgulho nacional, de acreditar no nosso valor e mais conseguiremos, se assim o quisermos, se (tal qual Fernando Santos) formos confiantes e perseverantes.

“Heróis do mar”, ontem homenageados, relembrados como a inspiração que nos faltava. Portugal é campeão da Europa de futebol e desta vez é para valer, não é só sonho, nem ambição.

Incha Europa e verga-te ante os novos campeões

VIVA PORTUGAL!

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Nuno Franco Pires, nasceu em Elvas em 1975 e é um alentejano orgulhoso das suas raízes. Gosta de escrever – sempre gostou. Começou por pequenas histórias, onde os amigos de infância eram os protagonistas, passando pelo blog Dualidades (asdualidades.blogspot.com) do qual foi coautor e onde abordava temas que marcavam a actualidade. Cativam-no as relações humanas e a interacção entre as pessoas; é sobre elas que escreve. Tem participado e vários concursos literários tendo ganho uma menção honrosa no prémio Glória Marreiros, organizado pela Câmara Municipal de Portimão, com a novela "Amor entre muralhas" escrita em parceria. Participou na colectânea "Ei-los que partem" da editora Papel d' Arroz e com a chancela da Chiado Editora editou o seu primeiro romance, "Searas ao vento". Colaborou com a TV Guadiana, publicando semanalmente, pequenas histórias da sua autoria e incorpora o painel de tertulianos da rúbrica "Conversas de Barbearia" do blog Três Paixões.