©HenriCartoon
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Será Portugal coutada de “chicos-espertos”?

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É um termo usado por nós, muito antigo, sinal de que sempre houve e haverá, quem age de modo oportunista e, por vezes, desonestamente, desrespeitando todas as regras em proveito próprio.

Efetivamente, sem ofensa para quem é chamado, pelos amigos, pelo diminuitivo de Francisco, aparecem em todo o mundo e Portugal não se escapa dessa gente sem pudor.

São uns verdadeiros artistas, malabaristas na arte de ludibriar, sempre de sorriso aberto, capazes de vender até a própria «mãe» para se tornarem poderosos e famosos.

“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo , a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho
“Canto a minha terra, a minha gente! Este povo que amo, a terra arada, o sol ardente!”, Graça Foles Amiguinho

É vê-los por aí, bem-vestidos, engravatados, montados nas mais caras marcas de automóveis, cheios de condecorações, dadas a torto e a direito, só porque têm contas bancárias fabulosas, embora as páginas negras das suas vidas sejam uma realidade que o dinheiro não consegue ocultar.

Como chegaram a patamares tão altos, socialmente?

Treparam, uns vindos de berços de ouro, outros vindos de berços de verga, mas como nasceram inteligentes e carregados de ambição, vão penetrando onde lhes convém, para encherem os bolsos e onde possam dar asas à sua habilidade de seduzir e enganar, de forma a alcançarem os seus objetivos: serem famosos, poderosos, não importando as táticas usadas, nem as vigarices feitas.

Temos muitos em Portugal, uns mais conhecidos do que outros, que se infiltram nos sindicatos,

nas empresas, na política, mas sempre com a mesma ideia: enriquecerem com pouco trabalho, explorarem alguém, manipularem opiniões, subirem sem custo na hierarquia, chegarem ao topo, sem se importarem de espezinhar e prejudicar quem se atravessar no seu caminho.

E nos negócios e chantagens ninguém lhes ganha. Arrogância e desfaçatez não lhes faltam. Em mentira são prodigiosos e em roubar são fenomenais.

São como que «uma casta» que cresce por toda a parte, cria raízes e tentáculos para açambarcar o mundo.

Pior que tudo isto, é serem ainda disfarçados, satíricos e rirem na cara de quem lhes descobre os podres.

Li a vida de um tal colecionador de Arte que nascendo pobre numa ilha e tendo emigrado para um país onde os direitos humanos não eram respeitados, com a exploração de minas de ouro, enriqueceu, chegando a ser presidente de um grande banco.

Quando resolve vir para Portugal é recebido com pompa e circunstância. Foi condecorado várias vezes e até lhe foi atribuída a mais alta condecoração da França.

Possuidor de uma coleção de Arte, considerada uma das melhores da Europa, tinha mais de mil obras expostas na Calheta-Madeira.

Essa coleção foi solicitada para integrar exposições em todo o mundo, desde Paris, Londres, Nova Iorque ou Madrid.

Em Lisboa, negociou com o governo a instalação da sua coleção no Centro Cultural de Belém, onde esteve durante dez anos, até lhe ter sido aprovado, pela Ministra da Cultura de então, Isabel Pires de Lima, o Museu Berardo de Arte Moderna e Contemporânea, inaugurado em 2007.

Perante toda esta história e depois das tristes cenas divulgadas pelo Parlamento Português, onde esse indivíduo foi inquirido como um dos maiores devedores da banca nacional, é de assinalar o que o Sr. Presidente da República Portuguesa afirmou, recentemente:

Um homem pode ser considerado importante, ser importante ou ter sido importante, nada lhe dá o direito de desrespeitar as instituições. A importância tem um preço. Quanto mais importantes, mais responsáveis, a todos os níveis. É preciso ter decoro.

O 1º Ministro declarou também que «o país está chocado com o desplante do empresário»

É preciso que cada um assuma as suas responsabilidades e não brinque com o que é de todos os portugueses.

O “chico-espertismo” tem que ser exterminado.